terça-feira, 11 de junho de 2013

Matéria: Música: entenda porque a disciplina se tornou obrigatória na escola.




Conheça a lei que determina a obrigatoriedade do ensino de música em todas as escolas do país a partir de 2012



     
Educar
Foto: Claudia Marianno
Foto: Segundo Sonia Regina Albano de Lima, diretora regional da Associação Brasileira de Ensino Musical, a música contribui para a formação integral do indivíduo
Especialistas afirmam que o ensino de música nas escolas deve trabalhar a coordenação motora, o senso rítmico e melódico
 
Todas as escolas públicas e privadas do Brasil devem incluir o ensino de música em suas grades curriculares. A exigência surgiu com a lei nº 11.769, sancionada em 18 de agosto de 2008, que determina que a música deve ser conteúdo obrigatório em toda a Educação Básica. "O objetivo não é formar músicos, mas desenvolver a criatividade, a sensibilidade e a integração dos alunos", diz a professora Clélia Craveiro, conselheira da Câmara de Educação Básica do CNE (Conselho Nacional de Educação).

Nas escolas, a música não deve ser necessariamente uma disciplina exclusiva. Ela pode integrar o ensino de arte, por exemplo, como explica Clélia Craveiro: "Antigamente, música era uma disciplina. Hoje não. Ela é apenas uma das linguagens da disciplina chamada artes, que pode englobar ainda artes plásticas e cênicas. A ideia é trabalhar com uma equipe multidisciplinar e, nela, ter entre os profissionais o professor de música. Cada escola tem autonomia para decidir como incluir esse conteúdo de acordo com seu projeto político-pedagógico". Apesar de ser uma boa iniciativa, o trabalho com equipes multidisciplinares para o ensino de música não tem acontecido de forma satisfatória nas instituições de ensino. "De qualquer maneira, trabalhar de forma interdisciplinar ou multidisciplinar em escolas de educação básica é uma tarefa complicada", afirma Clélia.

É necessário prestar atenção se o seu filho está tendo aulas de música com uma equipe adequada ou mesmo se esse tipo de aula está sendo oferecida na escola dele, como diz a lei. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases de 1996, só estão autorizados a lecionar na educação básica os professores com formação em nível superior, ou seja, profissionais que tenham cursado a licenciatura em Universidades e Institutos Superiores de Educação na área em que irão atuar. No entanto, há uma enorme carência de profissionais com formação superior em Música capacitados para lecionar.

Entenda mais detalhes dessa lei para que você possa compreender e exigir a aplicação dela na escola do seu filho.
 
1.Todas as séries da Educação Básica terão aulas de Música?
            
A lei nº 11.769 tornou o ensino de música obrigatório na Educação Básica (que engloba Educação Infantil e o Ensino Fundamental). Mas ela não especifica se todas as séries devem ter a música incluída em sua grade curricular. "Assim como a quantidade de aulas por semana, isso ainda teria de ter sido definido, junto aos sistemas de ensino estaduais e municipais", diz Clélia Craveiro, conselheira da Câmara de Educação Básica do CNE (Conselho Nacional de Educação). Segundo a presidente nacional da Associação Brasileira de Educação Musical (ABEM), Magali Kleber, cada secretaria está preenchendo esta lacuna do seu jeito. "Isso revela uma riqueza de que como é possível ter vários projetos pedagógicos para o ensino de música. Já que está tudo parado em âmbito nacional, isso tinha que ser resolvido nos estados", afirma. A não especificação de alguns pontos da lei permite que em diferentes anos de estudos se tenha diferentes tipos de aula de artes. Tudo depende da proposta político-pedagógica de cada escola.
 
2. Quais os objetivos do ensino de música?
             
"A música contribui para a formação integral do indivíduo, reverencia os valores culturais, difunde o senso estético, promove a sociabilidade e a expressividade, introduz o sentido de parceria e cooperação, e auxilia o desenvolvimento motor, pois trabalha com a sincronia de movimentos", explica Sonia Regina Albano de Lima, diretora regional da Associação Brasileira de Ensino Musical, (ABEM) e diretora dos cursos de graduação e pós-graduação lato sensu em Música e Educação Musical da FMCG (Faculdade de Música Carlos Gomes). O trabalho com música desenvolve as habilidades físico-cinestésica, espacial, lógico-matemática, verbal e musical. "Ao entrar em contato com a música, zonas importantes do corpo físico e psíquico são acionadas - os sentidos, as emoções e a própria mente. Por meio da música, a criança expressa emoções que não consegue expressar com palavras", completa Sonia Regina.
"A música fez bem para a autoestima do estudante, já que alimenta a criação".

3. O que deve ser ensinado às crianças?
              
O ensino de música não é como antigamente, quando se aprendia as notas musicais e canto orfeônico, mas o que as crianças devem aprender nas aulas? O MEC recomenda que, além das noções básicas de música, dos cantos cívicos nacionais e dos sons de instrumentos de orquestra, os alunos aprendam cantos, ritmos, danças e sons de instrumentos regionais e folclóricos para, assim, conhecer a diversidade cultural do Brasil.

A lei não especifica conteúdos, portanto as escolas terão autonomia para decidir o que será trabalhado. "É muito complicado impor um conteúdo programático obrigatório para as aulas de música, quando a LDB (Lei de Diretrizes e Bases) nº 9294/96 privilegia a flexibilidade do ensino", diz Sonia Albano, diretora regional da Associação Brasileira de Ensino Musical (ABEM), para quem o mais importante seria trabalhar a coordenação motora, o senso rítmico e melódico, o pulso interno, a voz, o movimento corporal, a percepção, a notação musical sob bases sensibilizadoras, além de um repertório que atinja os universos erudito, folclórico e popular.

"Os professores estão privilegiando projetos simbólicos que já vem da realidade dos alunos, priorizando um capital social trazido pelos alunos para que seja ampliando. Assim, é possível chegar a ensinar músicas de todo mundo e de diferentes épocas", diz Magali Kleber, presidente nacional da ABEM (Associação Brasileira de Educação Musical). "O ensino de música deve envolver o capital simbólico e cultural da região da escola. Deve-se trabalhar com uma perspectiva antropológica, envolvendo os pais, os alunos e contexto sócio-cultural", completa.

4. Quem ministrará as aulas de música?
As aulas deveriam ser ministradas por professores especialistas em música, ou seja, que tivessem licenciatura. "Se um professor de língua estrangeira não pode lecionar matemática, um ensino musical de qualidade não pode ser ministrado por um professor que não tenha conhecimento na área musical. Trabalhar com um profissional não habilitado propicia um ensino superficial e perigoso, pois o professor não terá condições de avaliar os prejuízos que poderá provocar ao indivíduo e nem terá capacidade para aplicar esse conhecimento de maneira eficaz", alerta Sonia Albano, diretora regional da Associação Brasileira de Ensino Musical (ABEM). Isso não quer dizer que a música não deva fazer parte do conteúdo transversal, aquele que atravessa as aulas. "O professor de sala pode e deve usar a música em suas aulas, mas não tem condição de dar aula de música", diz Lisiane Bassi, coordenadora do programa de Educação Musical de Franca, cidade do interior de São Paulo que é referência no Ensino Musical.
5.Como as escolas devem se preparar? Há tempo suficiente para isso?
Inicialmente, as escolas tinham até agosto de 2011 para se adaptar à nova lei, ou seja, para incluir o ensino de música em sua grade curricular, comprar materiais (instrumentos musicais, CDs etc) e verificar se possuiam professores capazes de ministrar as aulas, pois nem todos possuem docentes de todas as áreas. Se não têm, devem contratá-los.

"As escolas não estarão adaptadas até agosto de 2011 e, por isso, solicitamos uma extensão desse prazo", diz Magali Kleber presidente nacional da ABEM (Associação Brasileira de Educação Musical).

As instituições de ensino têm encontrado dificuldades para cumprir devidamente esse ponto da lei, porque o número de professores formados em música é pequeno no Brasil. Além disso, a contratação de professores específicos prevê gastos com os quais muitas escolas não têm condições de arcar. "E aí estoura o orçamento da escola pública, porque para ministrar o conteúdo de música deveriam contratar o professor de música", diz Rosemara Stalbi, coordenadora da Pós Graduação da Sociedade e Cultura na Amazônia. O Conselho Nacional de Educação recomenda que as escolas pensem a música em meio a um projeto político-pedagógico que respeite a organização dos currículos escolares. O órgão ainda lembra que tais currículos podem estar organizados por áreas, temas, projetos relacionados à música.

Quanto aos materiais, a coordenadora musical Lisiane Bassi, coordenadora do programa de Educação Musical de Franca, cidade do interior de São Paulo que é referência no Ensino Musical, acredita ser possível realizar educação musical sem grandes investimentos. Ela conta seu próprio exemplo: "Hoje, felizmente, temos o apoio da prefeitura de Franca (SP) e dispomos de bons instrumentos musicais, mas começamos com instrumentos feitos pelos alunos com sucata. Podemos fazer música com um lápis e uma borracha e até com o corpo. A musicalidade está dentro da pessoa", ela diz.

6. Contratar profissionais capacitados ou capacitar?
Encarar uma sala de aula e ministrar um ensino musical de qualidade não é fácil. Afinal, não basta ser músico, é preciso ter didática, e para isso existem os cursos de capacitação. "Há muitos profissionais formados em música, mas que não têm didática. E, geralmente, eles saem da faculdade com formação específica em apenas um instrumento e com o objetivo de serem professores particulares de música, ou seja, terem apenas um aluno por vez", diz Lisiane Bassi, coordenadora do programa de Educação Musical de Franca, cidade do interior de São Paulo que é referência no Ensino Musical. A contratação de professores é um problema ainda não resolvido nas escolas. "É diferente dar aula no conservatório e dar aula numa escola de 40 alunos. Hoje reconhecemos que não há profissionais suficientes para atuar com música nas salas de aula. Medidas são necessárias para resolver isso, uma delas é a correção devida de editais publicados errados para o ingresso na área; outra é o oferecimento de cursos de capacitação para os professores, cursos de extensão universitária entre outros", diz Magali Kleber presidente nacional da ABEM (Associação Brasileira de Educação Musical).

O MEC (Ministério da Educação) propõe cursos de formação para ministrar o conteúdo de música e o ensino de cultura regional. Até mesmo recursos de educação à distância estão sendo usados nesse processo. "Agora existe uma expectativa muito grande da área e da sociedade que está esperando que seus filhos aprendam música nas escolas sem ter de pagar. A lei teve impacto para os profissionais de música, e teve impacto para a discussão de acesso à música na sociedade", diz Magali Kleber.

Em depoimento oficial, a Câmara de Educação Básica do CNE (Conselho Nacional de Educação) afirma que, "certamente, será exigido da União, dos Estados e dos Municípios um esforço conjunto para que se promova a formação adequada dos professores de música".

7.Como formar o professor de pedagogia para o ensino de música?
             
Apesar de o ensino musical exigir um professor especialista (técnico ou licenciado em música), seria de grande valia que as faculdades de pedagogia contemplassem a disciplina música, ensinando, por exemplo, como usar a música em sala de aula, além de explicar o que é a educação musical e como ela pode ser parceira no ensino-aprendizagem. "Há falta de conhecimento de alguns professores, que acham que aula de Música é só cantar, é brincadeira", diz Lisiane Lisiane Bassi, coordenadora do Ensino de Música de Franca, que é referência nacional.
8. Como estabelecer o tipo de formação musical que será oferecida aos alunos?
                           
As instituições de ensino possuem autonomia para definir o tipo de Educação Musical que irão implantar. "Assim como seu conteúdo, de acordo com seu projeto político-pedagógico", diz Clélia Craveiro conselheira da Câmara de Educação Básica do CNE (Conselho Nacional de Educação). A modalidade de Ensino Musical a ser adotada é o grande desafio que as escolas enfrentam durante a implementação da lei. Deve ser realizado um ensino musical tecnicista ou sensibilizador? Deve-se priorizar a voz, a formação instrumental ou a formação estético-musical dos alunos? Estas são decisões fundamentais e que devem ser o ponto de partida para que a lei nº 11.769 seja cumprida. "Deve ser garantido que o ensino da música seja inserido nas escolas públicas, mas que a diversidade musical e cultural do Brasil sejam respeitadas. O conteúdo não pode ser igual para todas as escolas mesmo, isso fera a autonomia das escolas na construção de seus projetos pedagógicos", afirma a presidente nacional da ABEM (Associação Brasileira de Educação Musical), Magali Kleber.
9. Como a música pode ser introduzida no dia-a-dia escolar?
              
Há várias formas de se trabalhar a música na escola, por exemplo, de forma lúdica e coletiva, utilizando jogos, brincadeiras de roda e confecção de instrumentos, como sugere Sonia Albano, diretora regional da Associação Brasileira de Ensino Musical (ABEM). "Dessa forma, a música é capaz de combater a agressividade infantil e os problemas de rejeição". Nas escolas da rede municipal de Franca, onde o Projeto de Educação Musical já existe desde 1994 (ou seja, muito antes da lei nº 11.769 entrar em vigor), as crianças não só ouvem música, como a produzem, fazendo pequenos arranjos e tocando instrumentos como a flauta doce e alguns de percussão. Elas também vivenciam a música, por meio de trabalhos corporais que desenvolvem a atenção e a coordenação motora. "Não queremos formar músicos, mas desenvolver o espírito crítico, conhecer as raízes da música brasileira, despertar o gosto musical, preservar nosso patrimônio e aumentar o repertório musical nacional e internacional", diz Lisiane Bassi.

Para que o ensino proposto na Lei tenha bons resultados, o indicado é que as escolas intensifiquem trabalhos já produzidos em sala de aula e que levem em conta o contexto cultural dos alunos.
10. O que pode ser feito para que a lei seja cumprida e para que o Ensino Musical tenha qualidade?
Para que as aulas de Música não virem "hora do recreio", é preciso que os pais fiquem de olho em quem irá ministrá-las. Além disso, é preciso checar se esse ensino será contínuo e com uma metodologia capaz de desenvolver a capacidade musical dos estudantes de forma gradual, sem truncamentos e interrupções. "Já nós, profissionais de música, precisamos trabalhar para instituir gradualmente um Ensino Musical de qualidade, com metas pedagógicas precisas e contínuas. Devemos cuidar para que essa nova lei tenha um destino melhor do que as outras", propõe Sonia Albano. Ela acredita também que as associações de classe, os coordenadores pedagógicos e professores da área devam trabalhar com responsabilidade junto ao MEC e às delegacias de ensino para a implantação de um ensino musical de qualidade. Lisiane Bassi, coordenadora do Ensino de Música de Franca, que é referência nacional, dá a fórmula: "Trabalho sério, equipe preocupada em estudar e antenada no que acontece no mundo, além do incentivo da prefeitura que investe no projeto".
11. Meu estado está atrasado com relação à lei?
             
Ainda não há um mapeamento que responda à esta questão. Mas ao que tudo indica, os estados com um maior número de licenciaturas em pedagogia e música estão se movimentando mais. Por outro lado, estados com deficiências na educação e com poucos cursos de formação superior para professores tendem a ter mais dificuldades para a implantação da lei. "Nos estados do Norte do país, onde a formação de professores é deficiente, a implantação de leis voltadas para áreas específicas é mais difícil. Mas não se pode pensar de maneira pontual, as questões também são sistêmicas", afirma Magali Kleber, presidente da Associação Brasileira de Educação Musical (ABEM).

A ABEM, aliás, está reunindo boas iniciativas do ensino de música de todo país. Segundo Magali, cidades como Vitória, Goiânia, Florianópolis, Porto Alegre, Natal, João Pessoa e Mogi das Cruzes são bons exemplos da evolução em trabalhos com música nas escolas. 'É importante que esses exemplos sejam seguidos, e que, o quanto antes, seja feito o mapeamento oficial dessas iniciativas", diz Magali Kleber, presidente nacional da ABEM (Associação Brasileira de Educação Musical).

Um caso interessante é o de Pernambuco, onde as 400 escolas estaduais já possuem a disciplina de artes na grade curricular. "O ensino de música já está sendo introduzido na área de artes das escolas desde 2007", diz Zélia Porto, gerente de Políticas Educacionais do Estado. Para tanto, valem parcerias entre as instituições de ensino e os conservatórios de música locais, além da abertura de concursos dirigidos aos profissionais da área.

Link Original: http://educarparacrescer.abril.com.br/politica-publica/musica-escolas-432857.shtml

Curiosidades: Comercial da Pantene - Garota Surda Aprende a Tocar Violino (Legendado em POR-BR)


Dicas: Documentário "Lição De Piano", sobre Francisco Mignone



Documentário "Lição De Piano", sobre Francisco Mignone
Embrafilme
Funarte
Ministério da Cultura
Secretaria do Audiovisual
Departamento do Filme Cultural 1978

Direção e Fotografia: João Carlos Horta
Argumento: Luiz Paulo Horta
Montagem: Carlos Brajsblat
Produção: Heloísa B. Hollanda
Câmara: José Manso
Som: Walter Goulart
Assistente de fotografia: Charles
Assistente de produção: Lula Buarque
Participação especial: Maria Josephina Mignone

Curiosidades: Palau Música Catalana



link:  http://www.palaumusica.cat/tresorsbiblioteca/esp/8llibres.html

domingo, 9 de junho de 2013

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segunda-feira, 3 de junho de 2013

Educação Musical: 500 anos de Música Brasileira.






Link Original:  http://www2.uol.com.br/uptodate/500/index4.html

Matéria: Por que estudar música?



Por que estudar música.

As crianças são seres musicais, mas precisam do espaço certo para desenvolver suas habilidades. Entenda como isso acontece em casa e na escola.

 Texto Beatriz Montesanti                                                                                          

  
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Foto: Claudia Marianno
Foto: Aprender música na fase escolar ajuda a criança em muitos aspectos!
Aprender música na fase escolar ajuda a criança em muitos aspectos!
 
   
 A música está por todo lado, na natureza, na cidade, nas pessoas. No entanto, nem todos sabem escutá-la. Para Carlos Dorlass, diretor geral do colégio Peretz, esta é a maior importância do ensino musical: ensinar a escutar. 

Mas os benefícios não param por aí. Não à toa que, a partir de 2012, o ensino musical tornou-se obrigatório na Educação Básica, de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). A Educação Musical pode auxiliar na alfabetização, desenvolver raciocínio lógico e criatividade, além de ser um bom apoio para o ensino de outras disciplinas.

 No entanto, Teca Alencar de Britto, professora de música da USP, alerta: "Sempre se busca um porquê para estudar uma forma de arte". Para ela, a importância da música está em si mesma: "Primeiro de tudo deve-se ter a música pela música: o conhecimento de mundo, o ritmo, a sensibilidade. Depois, os benefícios que ela traz, como maior atenção, coordenação motora e disciplina", enumera.

Confira os benefícios da Educação Musical:
 
 
1. Descobrir o mundo
Somos seres musicais desde o início da vida, o que muda é a complexidade da nossa relação com o som. A criança descobre as diferenças entre as sonoridades desde cedo, no entanto, para que esta relação se desenvolva, é necessário que haja espaço para ouvir, explorar e brincar.

De acordo com a professora Teca Alencar de Britto, a música é orgânica e corporal, principalmente nas crianças: "Enquanto os adultos racionalizam e teorizam muito, as crianças não têm qualquer inibição básica, e isso pode ser aproveitado".

Beto Schkolnick, professor da Escola de Educação Infantil Jacarandá e coordenador da área de música do Colégio Magno, em São Paulo, explica como o trabalho de música realizado com crianças está voltado para a experimentação sensorial, com brincadeiras que as ajudem a descobrir este universo.

Uma atividade realizada nesta fase, por exemplo, é a contação de histórias utilizando diferentes sons e instrumentos para cada personagem: "Um som será um dos porquinhos, o outro, mais forte, será o som do lobo, e assim trabalhamos as intensidades", explica.
 
 
2. Aprender a escutar
Os sons estão por toda parte: cada ambiente traz o seu ruído peculiar e característico. O som de uma cidade, de uma sala de aula, de uma selva, de uma floresta. A isso chamamos paisagem sonora.

Saber discriminar os sons, não só dos instrumentos, mas do mundo a sua volta, é extremamente importante: trata-se da percepção sonora. Basicamente, é saber reconhecer o que se está escutando, saber que tal som pertence a um violino ou a uma bateria.

Nos ambientes em que vivemos, inclusive o escolar, há muitos ruídos, o que banaliza o som. A Educação Musical, por sua vez, cria espaços para a valorização da escuta. "Ouvir é uma habilidade. É saber prestar atenção, relacionar letra, música, ritmo. Isso serve para a tudo na vida", diz Carlos Dorlass, diretor geral do colégio Peretz.

Essa percepção pode ser criada por meio de jogos, como improvisação e percussão corporal. De acordo com o professor Beto Schkolnick, ao ouvir os registros do som é possível chamar a atenção para o grave, o agudo, as diferentes intensidades e timbres.
 
 
3. Compreender o mundo
              
A música é feita pelos seres humanos e estes, por sua vez, não estão isolados no universo. Tanto a letra quanto os ritmos e melodias estão inseridos em uma cultura e em um contexto histórico. Estudá-lo ajuda a compreender o sentido da música (ou seus diferentes sentidos).

O caminho inverso também acontece: a própria música serve de instrumento para compreender uma cultura ou a sensibilidade de uma época. Há músicas que ajudam a compreender características de um povo, de uma cidade ou de um movimento artístico, e isso pode ser apropriado para aulas de história e geografia, por exemplo.

No colégio Peretz, em São Paulo, o tradicional sinal da troca de aula foi substituído por 20 segundos de música. "Toda semana colocamos algo diferente, geralmente ícones da música brasileira ou da cultura judaica", explica o diretor Carlos Dorlass. A música da semana é abordada mais tarde em sala de aula: "Falamos da história da letra, do contexto, dos seus elementos. E assim a educação é feita em parceria".
 
4. Fortalecer laços afetivos
Logo quando nascemos já começamos a construir nosso repertório musical, com as cantigas de ninar e as canções infantis.

As famílias também têm suas próprias histórias musicais: podem ouvir e cantarolar estilos do interior, como moda de viola, ou músicas religiosas, típicas de seus países de origem. Essas canções são um material interessante para a sala de aula e ainda envolvem a família toda na Educação.

"Não se pode achar que a Educação Musical é só a que acontece na escola. A cultura familiar pode dar um direcionamento para o trabalho", conta o professor Roberto Schkolnick.

Além disso, ouvir música em casa é uma forma de compartilhar experiências bacanas. Para a professora Teca, é muito importante que os pais tenham essa convivência musical com as crianças: "Desde o início da infância pode-se criar um vínculo afetivo por meio da música, mesmo com as canções de ninar. O importante não é ter o refinamento, mas a qualidade afetiva. Isto tem um valor enorme para fortalecer vínculos", conclui.
 
5. Desenvolver cultura e tolerância
Ampliar o leque musical é uma forma de rever preconceitos. A experiência musical nos coloca em contato com o outro, com a diversidade e com a riqueza.

Para os adolescentes, muitas vezes, o conhecimento musical está ligado ao que é veiculado pela mídia. Além disso, jovens se identificam com grupos sociais por meio da música e tendem a rejeitar o que vem dos adultos. Para o professor Roberto, o melhor caminho para superar esta resistência é sempre o do diálogo. Pais e professores devem estabelecer uma parceria e não apenas negar aquilo que é interesse dos jovens.

As aulas precisam ter eco e fazer algum sentido para a criança, por isso não pode haver juízo de valor. "Assim, eles também aprendem a ouvir o que o professor e outros colegas propõem", defende Teca Alencar de Britto, professora de música. "Acho que isso cria um ambiente democrático e de reflexão, transformando a relação da criança e do jovem com a música, de forma que se tornem mais abertos", conclui
 
6. Desenvolver a capacidade de expressão e criatividade
Somos seres musicais, e as crianças, em especial, têm um grande potencial criativo e expressivo, desde que tenha o estímulo certo. A aula de música pode convidá-la a cantarolar, criar, inventar. Construir instrumentos com sucata, por exemplo, é uma forma de despertar este lado.

A arte em geral, é uma forma de expressão e comunicação. "A música acaba sendo uma linguagem muito fácil de apropriar. É uma dádiva, todo mundo pode", diz Roberto. "A música é como a língua portuguesa. Por um lado, você pode fazer a análise sintática, por outro, pode-se realizar a interpretação, criar sentidos, construir formas poéticas ou informativas".
 
7. Praticar o raciocínio lógico
A linguagem musical tem formas de estruturar a linguagem. A organização de símbolos musicais envolve a lógica, a matemática. É um sistema racional lógico perfeito. Ao combinar os sons, perceber padrões, lidar com compassos, a criança desenvolve também o raciocínio matemático


 
8. Desenvolver a capacidade de escolha, disciplina e organização
              
Algumas crianças, encantadas pelo fazer musical, vão querer se dedicar ao estudo de um instrumento específico. Neste caso, os professores reforçam a importância de esta decisão partir da própria criança, e não dos pais.

De acordo com Liliana Bertolini, professora de música da EMIA (Escola Municipal de Iniciação Artística), é muito comum que pais queiram um instrumento e a criança, outro. "É um mito de que seja melhor iniciar com o piano porque é o básico. O melhor instrumento para iniciar é o que a criança gosta do som!", diz a professora.

Claro, há também a criançada indecisa, que quer tocar tudo ou que sempre muda de ideia. Neste caso, o caminho é novamente o da conversa: "O ideal é tentar insistir em um instrumento por pelo menos seis meses, pois leva um tempo até entender o mecanismo dele ou ganhar um mínimo de intimidade com o som. Se depois não der certo, é melhor trocar, pois a criança não encontrou identificação", explica.

Qual é, então, a função dos pais na educação musical? "Cabe a eles ajudar os filhos a organizar a rotina do estudo, mesmo que não conheça o instrumento", responde a professora. "Não é para estudar junto, mas estar ao lado deles". Outra forma que os pais podem ajudar a incentivar os filhos é pedir para que toquem para eles, familiares a amigos. Assim o instrumento torna-se algo que podem compartilhar. Que seja também uma forma de expressão e diversão, não apenas estudo.

Outra questão importante é se o instrumento escolhido foge ao orçamento familiar, mas há formas de contornar esta questão. Na escola EMIA, ligada à Secretaria da Cultura e dedicada a aulas de artes, as crianças podem usar o instrumento da própria escola. "A família tem que organizar o orçamento. Eu já vi muitas soluções diferentes, como familiares fazendo uma vaquinha com todos os parentes para comprar uma flauta transversal para o menino", lembra Liliana.