segunda-feira, 5 de novembro de 2012
domingo, 4 de novembro de 2012
Educação Musical: Livro de canções de Adoniran Barbosa
Livro de canções de Adoniran Barbosa
Este projeto didático propõe a criação de um livro em homenagem ao compositor paulista Adoniran Barbosa. Com ele, as crianças vão se aproximar da obra e da vida do compositor e aprender músicas clássicas da cultura popular brasileira. Além disso, terão um primeiro contato com os registros gráficos musicais.
Objetivos
- Pesquisar e conhecer a vida e obra de um importante artista da cultura brasileira e paulista - Adoniran Barbosa.
- Conhecer características, situações, fatos que inspiraram a obra do artista.
- Conhecer elementos da linguagem musical: aproximação à escrita musical (notas, partituras, símbolos).
- Desenvolver a escuta musical.
- Perceber elementos sonoros e musicais: timbres de instrumentos, ritmos, formas musicais.
- Elaborar um material de referência com registros do percurso de aprendizagem dos alunos.
Conteúdos
- Musicalização.
- História e Cultura.
Anos
Pré-escola.
Tempo estimado
02 meses.
Material necessário
Lápis, canetinha, tinta, papel e cartolina. Gravador de som - computador com microfone, softwarede gravação ou equipamento de som que seja possível gravar voz e sons do ambiente. Cds ou mídia com músicas de Adoniran Barbosa interpretadas por ele. Fotos, livros de história, vídeos: materiais de referência para pesquisa.
Produto final
Livro de canções de Adoniran Barbosa.
Flexibilização
Para alunos com deficiência auditiva
A música é um fenômeno físico, no qual é possível senti-la através das vibrações das ondas sonoras. Por exemplo, é possível perceber o ritmo do samba, a partir do padrão de vibração das frequências graves de um surdo (instrumento musical de percussão) ou até mesmo reconhecer a pulsação e andamento da canção através de sua marcação na sua música. Nas atividades de apreciação, ajude o aluno a sentir as vibrações da música.
Desenvolvimento
1ª etapa
Conte sobre o tema do projeto: o compositor Adoniran Barbosa. Apresente o artista e converse sobre alguns aspectos significativos da sua vida e obra para nossa cultura. Pergunte quais as músicas que eles conhecem e coloque algumas canções para que escutem. "Trem das Onze" e "Samba do Arnesto" são duas composições muito conhecidas que trazem marcas muito características da sua produção musical. Nelas é possível reconhecer o enredo sobre os bairros de São Paulo e a forma caricata da pronúncia dos imigrantes italianos da década de 30.
2ª etapa
Analise com o grupo algumas características que chamam a atenção nas canções de Adoniran: pronúncias, enredo, ritmos, timbres dos instrumentos, da voz, etc. É possível utilizar gravações de músicas que o compositor interpreta em parceria com outros artistas para comparar e conhecer timbres de vozes diferentes. Por exemplo: a gravação de "Torresmo à milanesa" cantada junto com Clementina de Jesus. O timbre vocal é bastante grave e/ou a delicadeza contrastante da voz de Elis Regina em "Tiro ao alvo".
3ª etapa
Nesse momento é importante contextualizar a época em que o artista viveu e concebeu sua obra, trazendo elementos que facilitem a compreensão dos alunos de como eram as coisas no passado. Você pode apresentar discos de vinil e uma vitrola, fotos de lugares da cidade no século passado comparando com imagens atuais, pesquisar como as pessoas se vestiam etc. Estabeleça relações dos fatos históricos com o desenvolvimento da carreira do artista. Adoniran Barbosa encontrou no rádio a maneira de expressar sua obra, pois esse era o principal veículo de comunicação da época. No enredo de suas canções são retratadas também situações do dia a dia do imigrante e do trabalhador.
4ª etapa
Esse é um momento muito rico do trabalho, pois é possível contar com a preciosa participação dos familiares no projeto. Pais e avós geralmente conhecem músicas de Adoniran Barbosa e muitos se identificam com algumas situações relatadas em suas composições. Sugira que enviem materiais sobre sua vida e as músicas que conhecem. Caso seja possível, receba a visita de um familiar na sala de aula. Se algum pai souber tocar um instrumento musical, peça que ele venha participar de uma aula para cantar com o grupo.
5ª etapa
Escolha algumas canções de Adoniran para ensinar ao grupo. Uma das músicas que as crianças costumam gostar muito é o "Samba do Arnesto", pois narra uma história divertida. Nela, é possível ouvir a pronúncia intencionalmente equivocada de algumas palavras e também tem um ritmo bem animado. Escute atentamente a canção incentivando as crianças a nomear e reconhecer os instrumentos tocados. Por exemplo: o cavaquinho, o pandeiro, o surdo etc. É importante dizer ao grupo que essa música tem o ritmo do samba e que, geralmente é tocado por esses instrumentos. Muitos alunos conhecem outras músicas e estilos de samba, o que pode enriquecer o aprendizado.
Numa roda de conversa, faça um exercício conjunto de compreensão sobre a letra da canção, estimulando a participação das crianças. Indague-os sobre o que entenderam do enredo. Por que o cantor fala errado algumas palavras? Lance um desafio para que cantem sozinhos sem ajuda do acompanhamento da música. Organize atividades corporais/gestuais com os temas abordados nas suas músicas. Por exemplo: com Trem das Onze é possível realizar uma brincadeira de "estátua" onde os alunos deverão formar uma fileira que será um "trem humano" e deverão se movimentar ao ritmo da música, ficando paralisados quando a música acaba. Esse tipo de brincadeira torna a experiência musical dinâmica. Todas essas atividades facilitam também a memorização das letras e melodias das canções.
6ª etapa
Todas as etapas deverão ser documentadas para que ao final sua turma possa criar um livro com os materiais registrados por eles. Além de documentar o processo de aprendizagem, os registros ajudam o aluno a compartilhar e refletir sobre suas produções e conhecimentos. Veja alguns tipos possíveis de registro:
- Registros gráficos musicais: As crianças podem criar imagens, símbolos hipotéticos para representar a notação de um som, um ritmo ou ate´ uma música completa (exemplo de registro das crianças)
- Desenho do enredo das canções: Ilustrar o tema das canções ou situações da sua vida. Por exemplo: a estação ferroviária do Jaçanã~, o trem e os passageiros.
- Escrita coletiva da biografia do artista: Com você como escriba, peça que elaborem coletivamente um texto sobre as informações pesquisadas da vida e obra de Adoniran.
- Registros sonoros: gravação das músicas, programa de rádio com vinhetas e sonorizações.
7ª etapa
Para elaboração e diagramação do Livro de Canções, organize todos os materiais gráficos e de áudio registrados durante o processo de realização do projeto. Você pode criar um livro coletivo acompanhado de um CD com músicas, textos e ilustrações produzidas e interpretadas pelas crianças.
No livro, você pode estabelecer diferentes seções, para organizar as informações:
a) Partituras musicais: desenhos e notações referentes às músicas e sons. Você também poderá colocar algumas partituras com a escrita musical usual como aproximação e referência dos símbolos utilizados na linguagem musical.
b) Letras das músicas com ilustrações: desenhos dos alunos sobre os temas cantados em suas canções.
c) Biografia do artista: textos e ilustrações produzidos pelo grupo sobre sua vida
d) Índice do CD: numeração e conteúdos das faixas, juntamente com os créditos dos alunos e grupos que interpretaram as músicas e locuções.
e) Créditos finais: seção onde deverá ser mencionado as fontes de consulta de pesquisa, das imagens, dos livros, das partituras, das músicas, do CDs utilizados para que o leitor possa também fazer sua consulta pessoal aos materiais originais.
8ª etapa
Lançamento do livro e do CD. Organize uma seção de cantoria para a comunidade escolar (pais, crianças, professores e funcionários) para compartilhar o trabalho.
Avaliação
A avaliação do projeto poderá ser pautada por:
- Participação e envolvimento da criança no trabalho.
- Observação dos registros realizados:
Hipóteses que criaram para desenhar os sons e as músicas
Desenhos dos enredos das canções, situações de sua vida e da cidade
- Apropriação das músicas e da história de Adoniran:
Cantam as músicas?
Comentam sobre timbres, instrumentos musicais e ritmo?
Relatam diferentes momentos de sua história e da cidade de SP?
- Conversas sobre o trabalho com as crianças.
Objetivos
- Pesquisar e conhecer a vida e obra de um importante artista da cultura brasileira e paulista - Adoniran Barbosa.
- Conhecer características, situações, fatos que inspiraram a obra do artista.
- Conhecer elementos da linguagem musical: aproximação à escrita musical (notas, partituras, símbolos).
- Desenvolver a escuta musical.
- Perceber elementos sonoros e musicais: timbres de instrumentos, ritmos, formas musicais.
- Elaborar um material de referência com registros do percurso de aprendizagem dos alunos.
Conteúdos
- Musicalização.
- História e Cultura.
Anos
Pré-escola.
Tempo estimado
02 meses.
Material necessário
Lápis, canetinha, tinta, papel e cartolina. Gravador de som - computador com microfone, softwarede gravação ou equipamento de som que seja possível gravar voz e sons do ambiente. Cds ou mídia com músicas de Adoniran Barbosa interpretadas por ele. Fotos, livros de história, vídeos: materiais de referência para pesquisa.
Produto final
Livro de canções de Adoniran Barbosa.
Flexibilização
Para alunos com deficiência auditiva
A música é um fenômeno físico, no qual é possível senti-la através das vibrações das ondas sonoras. Por exemplo, é possível perceber o ritmo do samba, a partir do padrão de vibração das frequências graves de um surdo (instrumento musical de percussão) ou até mesmo reconhecer a pulsação e andamento da canção através de sua marcação na sua música. Nas atividades de apreciação, ajude o aluno a sentir as vibrações da música.
Desenvolvimento
1ª etapa
Conte sobre o tema do projeto: o compositor Adoniran Barbosa. Apresente o artista e converse sobre alguns aspectos significativos da sua vida e obra para nossa cultura. Pergunte quais as músicas que eles conhecem e coloque algumas canções para que escutem. "Trem das Onze" e "Samba do Arnesto" são duas composições muito conhecidas que trazem marcas muito características da sua produção musical. Nelas é possível reconhecer o enredo sobre os bairros de São Paulo e a forma caricata da pronúncia dos imigrantes italianos da década de 30.
2ª etapa
Analise com o grupo algumas características que chamam a atenção nas canções de Adoniran: pronúncias, enredo, ritmos, timbres dos instrumentos, da voz, etc. É possível utilizar gravações de músicas que o compositor interpreta em parceria com outros artistas para comparar e conhecer timbres de vozes diferentes. Por exemplo: a gravação de "Torresmo à milanesa" cantada junto com Clementina de Jesus. O timbre vocal é bastante grave e/ou a delicadeza contrastante da voz de Elis Regina em "Tiro ao alvo".
3ª etapa
Nesse momento é importante contextualizar a época em que o artista viveu e concebeu sua obra, trazendo elementos que facilitem a compreensão dos alunos de como eram as coisas no passado. Você pode apresentar discos de vinil e uma vitrola, fotos de lugares da cidade no século passado comparando com imagens atuais, pesquisar como as pessoas se vestiam etc. Estabeleça relações dos fatos históricos com o desenvolvimento da carreira do artista. Adoniran Barbosa encontrou no rádio a maneira de expressar sua obra, pois esse era o principal veículo de comunicação da época. No enredo de suas canções são retratadas também situações do dia a dia do imigrante e do trabalhador.
4ª etapa
Esse é um momento muito rico do trabalho, pois é possível contar com a preciosa participação dos familiares no projeto. Pais e avós geralmente conhecem músicas de Adoniran Barbosa e muitos se identificam com algumas situações relatadas em suas composições. Sugira que enviem materiais sobre sua vida e as músicas que conhecem. Caso seja possível, receba a visita de um familiar na sala de aula. Se algum pai souber tocar um instrumento musical, peça que ele venha participar de uma aula para cantar com o grupo.
5ª etapa
Escolha algumas canções de Adoniran para ensinar ao grupo. Uma das músicas que as crianças costumam gostar muito é o "Samba do Arnesto", pois narra uma história divertida. Nela, é possível ouvir a pronúncia intencionalmente equivocada de algumas palavras e também tem um ritmo bem animado. Escute atentamente a canção incentivando as crianças a nomear e reconhecer os instrumentos tocados. Por exemplo: o cavaquinho, o pandeiro, o surdo etc. É importante dizer ao grupo que essa música tem o ritmo do samba e que, geralmente é tocado por esses instrumentos. Muitos alunos conhecem outras músicas e estilos de samba, o que pode enriquecer o aprendizado.
Numa roda de conversa, faça um exercício conjunto de compreensão sobre a letra da canção, estimulando a participação das crianças. Indague-os sobre o que entenderam do enredo. Por que o cantor fala errado algumas palavras? Lance um desafio para que cantem sozinhos sem ajuda do acompanhamento da música. Organize atividades corporais/gestuais com os temas abordados nas suas músicas. Por exemplo: com Trem das Onze é possível realizar uma brincadeira de "estátua" onde os alunos deverão formar uma fileira que será um "trem humano" e deverão se movimentar ao ritmo da música, ficando paralisados quando a música acaba. Esse tipo de brincadeira torna a experiência musical dinâmica. Todas essas atividades facilitam também a memorização das letras e melodias das canções.
6ª etapa
Todas as etapas deverão ser documentadas para que ao final sua turma possa criar um livro com os materiais registrados por eles. Além de documentar o processo de aprendizagem, os registros ajudam o aluno a compartilhar e refletir sobre suas produções e conhecimentos. Veja alguns tipos possíveis de registro:
- Registros gráficos musicais: As crianças podem criar imagens, símbolos hipotéticos para representar a notação de um som, um ritmo ou ate´ uma música completa (exemplo de registro das crianças)
- Desenho do enredo das canções: Ilustrar o tema das canções ou situações da sua vida. Por exemplo: a estação ferroviária do Jaçanã~, o trem e os passageiros.
- Escrita coletiva da biografia do artista: Com você como escriba, peça que elaborem coletivamente um texto sobre as informações pesquisadas da vida e obra de Adoniran.
- Registros sonoros: gravação das músicas, programa de rádio com vinhetas e sonorizações.
7ª etapa
Para elaboração e diagramação do Livro de Canções, organize todos os materiais gráficos e de áudio registrados durante o processo de realização do projeto. Você pode criar um livro coletivo acompanhado de um CD com músicas, textos e ilustrações produzidas e interpretadas pelas crianças.
No livro, você pode estabelecer diferentes seções, para organizar as informações:
a) Partituras musicais: desenhos e notações referentes às músicas e sons. Você também poderá colocar algumas partituras com a escrita musical usual como aproximação e referência dos símbolos utilizados na linguagem musical.
b) Letras das músicas com ilustrações: desenhos dos alunos sobre os temas cantados em suas canções.
c) Biografia do artista: textos e ilustrações produzidos pelo grupo sobre sua vida
d) Índice do CD: numeração e conteúdos das faixas, juntamente com os créditos dos alunos e grupos que interpretaram as músicas e locuções.
e) Créditos finais: seção onde deverá ser mencionado as fontes de consulta de pesquisa, das imagens, dos livros, das partituras, das músicas, do CDs utilizados para que o leitor possa também fazer sua consulta pessoal aos materiais originais.
8ª etapa
Lançamento do livro e do CD. Organize uma seção de cantoria para a comunidade escolar (pais, crianças, professores e funcionários) para compartilhar o trabalho.
Avaliação
A avaliação do projeto poderá ser pautada por:
- Participação e envolvimento da criança no trabalho.
- Observação dos registros realizados:
Hipóteses que criaram para desenhar os sons e as músicas
Desenhos dos enredos das canções, situações de sua vida e da cidade
- Apropriação das músicas e da história de Adoniran:
Cantam as músicas?
Comentam sobre timbres, instrumentos musicais e ritmo?
Relatam diferentes momentos de sua história e da cidade de SP?
- Conversas sobre o trabalho com as crianças.
Consultoria: Roberto Schkolnick
Professor de música da Escola Jacarandá, em São Paulo.
Link original: http://revistaescola.abril.com.br/creche-pre-escola/livro-cancoes-adoniran-barbosa-674665.shtml
Professor de música da Escola Jacarandá, em São Paulo.
Link original: http://revistaescola.abril.com.br/creche-pre-escola/livro-cancoes-adoniran-barbosa-674665.shtml
Educação Musical: Música na pré-escola para ouvir, cantar e tocar
Prêmio Victor Civita Educador Nota 10
2011 | Arte | Pré-Escola
Roberto Schkolnick
Escola
Escola Jacarandá
Cidade
São Paulo, SP
Projeto
Songbook: Adoniran Barbosa - 100 anos
O ritmo, os sons dos instrumentos musicais e as brincadeiras com a voz já eram parte das aulas de Música das crianças de 4 e 5 anos da escola. Mas o professor incluiu um novo tema nas atividades desenvolvidas com os pequenos: o centenário de nascimento de Adoniran Barbosa (1910-1982). A criançada conheceu a vida e a obra do músico, o contexto histórico do tempo em que ele viveu e, principalmente, ouviu, cantou, pintou, tocou, dançou e se divertiu com as canções. O projeto deu origem a um songbook com letras, fotos, desenhos e dados sobre a biografia do cantor.
Música na pré-escola para ouvir, cantar e tocar
Com composições de qualidade, Roberto Schkolnick instroduziu as crianças ao mundo da música
Beatriz Santomauro (bsantomauro@fvc.org.br). Com apuração de Marcia Scapaticio
Escuta atenta Ao ouvir as músicas de Adoniran Barbosa, as crianças identificaram os elementos que as compõem, como os refrões e a introdução.
A vitrola à esquerda foi bastante usada nas aulas de Música da Escola Jacarandá, na capital paulista. Nela tocaram discos de Adoniran Barbosa (1910-1982), artista que retratou a cidade de São Paulo numa época de crescente industrialização e imigração intensa. Agora, Samba do Arnesto, Trem das Onze, Saudosa Maloca e As Mariposa estão na ponta da língua dos pequenos da pré-escola. O responsável é o professor Roberto Schkolnick, que elaborou um projeto didático sobre o tema, realizado ao longo de sete meses. Durante as atividades, a classe tocou vários instrumentos, ouviu e cantou as músicas da época de seus avós e bisavós e aprendeu sobre o contexto em que foram compostas.
Clélia Cortez, selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10, ressalta o espaço dado às situações de escuta. Segundo a especialista, é mais comum nas aulas o momento de cantar do que o de ouvir prestando atenção nos detalhes das canções. Schkolnick mostrou para as crianças diversas obras do artista e escolheu trechos como "As mariposa, quando chega o frio, fica dando vorta em vorta da lâmpida pra se esquenta" e "O Arnesto nos convidou prum samba, ele mora no Brás, nóis fumo e num encontremo ninguém, nóis vortemo com uma baita de uma reiva" para serem cantados e analisados. Elas discutiram sobre palavras que não conheciam ou sobre aquelas que, para eles, nem existiam, como "encontremo" ou "reiva". Identificaram também que o "quais, quais, quais, quais" é introdução do Samba do Arnesto. "Eles me perguntavam se o Adoniran não sabia falar direito. Com isso, discutimos sobre o efeito que o cantor produziu", conta o professor.
Outra etapa planejada pelo docente foi a da criação. Os pequenos puderam gravar o que cantaram. Em seguida, ouviram a voz de todos e analisaram quais cantavam alto demais, quais não eram ouvidos e que pontos precisavam ser ajustados. A vivência com os instrumentos teve outro desdobramento. O professor propôs que eles experimentassem tocar o triângulo e representassem no papel aqueles diferentes sons. Eles se alternaram entre tocar e desenhar e o resultado foram notações muito interessantes, em que conseguiam diferenciar os sons mais curtos (com pontinhos) e longos (com tracinhos), com estilos desenvolvidos por cada criança.
"Ao ouvir um impulso sonoro, pode-se transpor o som percebido para outra linguagem", explica Clélia. "As crianças colocam no papel o que a percepção auditiva identificou, formando um primeiro tipo de registro musical." Isso é muito diferente de ensinar partituras convencionais, mas é uma maneira de fazer com que elas compreendam que o som pode ser transformado em, por exemplo, desenho. Em Música na Educação Infantil (208 págs., Ed. Peirópolis, tel. 11/ 3816-0699, 49 reais), Teca Alencar de Brito lembra que é importante considerar legítimo o modo como as crianças se relacionam com os sons e os silêncios. Só assim, de acordo com ela, a construção do conhecimento ocorre em contextos significativos, que incluam criação, elaboração de hipóteses, descobertas, questionamentos, experimentos etc.
Os pais dos alunos foram parceiros importantes: um deles levou a vitrola e outros compartilharam discos e livros sobre o artista e sua época, reunindo um acervo completo para pesquisa. O professor deixou que a turma manuseasse os objetos, leu textos e mostrou imagens que pudessem ajudar na compreensão do contexto em que as músicas foram feitas. As crianças tiveram contato com a imigração e a industrialização de São Paulo por meio dos sambas de Adoniran e do material reunido.
No fim, as diferentes etapas do trabalho foram organizadas em um songbook - livro contendo letras das músicas, fotos e textos com a história do artista, acompanhado de um CD com a gravação das canções de Adoniran na voz das crianças.
O ensino musical ontem e hoje
Quem foi e onde viveu O contexto em que as músicas são criadas diz muito sobre elas. Com as imagens, o professor mostrou a vida na São Paulo de antigamente.
Aulas de Música como as de Schkolnick são raras (leia no quadro abaixo os erros mais comuns) e isso é um reflexo histórico. Nas últimas décadas, o espaço para esse conteúdo teve vários focos: o canto, o aprendizado de determinados instrumentos ou a escrita de partituras. Em outros momentos, ele foi deixado de lado ou ensinado sem planejamento e intencionalidade. Em 2011, ganhou destaque quando um item da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) entrou em vigor e tornou a música obrigatória na Educação Básica - embora já fizesse parte das aulas de Arte.
Para as crianças da creche e da pré-escola, esse é um dos temas essenciais a serem trabalhados, ao lado do movimento, da linguagem oral, da leitura e das artes plásticas, entre outros, conforme indica o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, documento do Governo Federal. Mas como trabalhar o conteúdo nos anos iniciais de escolaridade?
"As atividades devem ter como objetivo ampliar o contato da criança com a linguagem sonora e musical e despertar o gosto por elas", diz Schkolnick. É a chamada musicalização. As propostas devem sensibilizar para a escuta e para o reconhecimento de diversas características do som, por exemplo, quando é grave ou agudo, forte ou fraco. Outras questões importantes são identificar se a música tem refrão e qual sua introdução, de que maneira o som pode ser representado e quais os diferentes ritmos, entre tantos outros aspectos (leia no quadro abaixo o que uma boa aula dessa disciplina na Educação Infantil deve ter). Com base nesses conhecimentos, a criança desenvolverá sua capacidade de escolha, discernindo o que considera de qualidade e o que é de seu gosto.
Fazer perguntas como: "O que você está escutando agora?" e "Vocês perceberam que essas frases já foram ditas na canção?" é uma maneira de chamar a atenção da turma para elementos específicos, como o som de determinado instrumento e o refrão. "Normalmente, se escuta a música como sendo uma coisa única, um bloco só, sem perceber que são vários sons que a compõem", conta o professor.
A musicalização deve estar apoiada em três eixos: escuta ou apreciação (ouvir com atenção, observando os elementos que fazem parte da música e os efeitos produzidos por eles), prática e produção (mais do que "fazer direito" ou dentro de moldes estabelecidos, é importante experimentar o contato com instrumentos e com o canto), e contextualização (identificar em qual tempo e espaço as obras foram criadas e saber que são fruto de certas culturas). Conforme o objetivo das aulas, um ou outro podem ter peso maior - nem sempre, por exemplo, é essencial explorar o contexto de criação da música.
Esse tipo de abordagem cria uma base para um estudo mais estruturado da linguagem musical, incluindo a teoria, as técnicas e os conceitos, inclusive a alfabetização musical (a escrita das notas ou símbolos). Mesmo que isso seja feito, porém, não se deve dispensar as atividades que levam à sensibilização para a música - aliás, ela pode ser desenvolvida por toda a vida. "É importante, sempre, trabalhar melodia, harmonia, ritmo e canto. Ensinar apenas um instrumento é restritivo e faz com que se perca a visão do todo", reforça Schkolnick.
Uma boa aula de Música...
...explora o som e o silêncio
A música é um som feito com base no silêncio. O professor deve propiciar momentos para a criança refletir sobre ambos, identificar os instrumentos e dar espaço à invenção das próprias músicas.
...contextualiza o músico e sua obra
A música sempre é feita num lugar, num tempo e num espaço definidos. Tendo essas informações, a turma pode compreender melhor a obra e até estabelecer relações com sua vida.
...deixa que os alunos soltem a voz
O canto é o nosso primeiro instrumento e precisa fazer parte da rotina. O gravador é um bom recurso para analisar o que foi feito.
...permite tocar de tudo
Explorar o som com vários objetos é um modo de enriquecer o repertório. A turma deve experimentar os instrumentos espontaneamente e também em atividades dirigidas pelo educador.
...mostra como ouvir com atenção
É fundamental que as crianças ouçam, cantem e toquem músicas criadas por elas próprias e outras composições em atividades interligadas. Criar o hábito da audição é importante, pois vivemos numa sociedade totalmente visual, na qual os sons raramente aparecem dissociados das imagens.
...vai além dos sons conhecidos
Trilhas sonoras de programas infantis ou filmes podem fazer parte do cotidiano das famílias, mas a escola deve proporcionar o contato com outros tipos de canção. A intenção do professor deve ser ampliar o que a turma já sabe e ajudar a desenvolver critérios de seleção do que quer escutar.
Consultoria Berenice de Almeida, pianista e professora da Escola Municipal de Iniciação Artística, em São Paulo, autora de Encontros Musicais: Pensar e Fazer Música na Sala de Aula (304 págs., Ed. Melhoramentos, tel. 11/3874-0880, 39 reais).
Os erros mais comuns
- Usar a música para ações corriqueiras.
Cantar no momento das refeições não deve substituir o ensino dessa linguagem.
- Mostrar apenas canções infantis.
Qualquer tipo de música, desde que seja de qualidade, é bom para os pequenos.
- Reforçar o que já é conhecido.
Deve-se ampliar o repertório da classe.
- Ignorar os conhecimentos da turma.
Sabendo o que faz parte da bagagem do grupo, é possível propor atividades ligadas a ele, oferecendo informações que não seriam acessadas sem orientação.
Link original: http://revistaescola.abril.com.br/creche-pre-escola/musica-pre-escola-ouvir-cantar-tocar-677971.shtml?page=1
Teca Alencar de Brito, professora do curso de Licenciatura em Música da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).
Como deve ser um bom professor de Música?
TECA ALENCAR DE BRITO O ideal é que ele tenha formação musical, para que essa arte seja valorizada pelo que ela é, e conhecimento pedagógico, para que leve em conta o pensamento dos alunos. É preciso se aproximar da criança e conhecer o significado que ela atribui à música, que não é uma coisa fechada e não pode ser entendida apenas como "a escala fá, dó, ré, si". Ela deve ser vista mais amplamente, como resultado de tempos e espaços diferentes e de pessoas que escutaram e construíram suas próprias formas sonoras. Por isso, temos estilos do Ocidente e do Oriente, o clássico e o contemporâneo e também aquele que combina com as ideias de cada um. Se o professor tem esse olhar, procura construir as aulas com os alunos. Mas, se apenas diz qual o jeito certo de tocar, eles só reproduzem.
Nos últimos anos, o que mudou na maneira de os professores verem o ensino desse conteúdo?
TECA As pessoas estão com o desejo de desenvolver um saber mais especializado. Mas os cursos de licenciatura têm um pequeno número de vagas e existem músicos (ou pessoas que querem se especializar na área) interessados em lecionar sem a devida formação. Não basta saber tocar, cantar e gostar de criança. Já recebi telefonemas de pessoas dizendo: "Você não pode me dar umas dicas porque eu vou começar a dar aula amanhã?" Para ensinar é preciso estar muito bem preparado.
Como devem ser as aulas?
TECA O professor tem de estar disposto a ousar e experimentar, sem ficar tão preocupado com um resultado predefinido. Nas escolas, falta espaço para criar e para valorizar a invenção da criança. Já vi um menino sentar no piano e, improvisando, chamar a mãe para tocar também. Mas ela disse que não sabia e ele respondeu: "Não precisa, eu já sei. Vem aqui que te ensino". Se para ele o mais importante é produzir, então todos podem tocar piano! Se esse garoto não faz música, quem a faz? Quantas vezes, no entanto, vemos as pessoas deixarem as crianças tocar livremente? Na Educação Infantil, os educadores podem inventar sonoridades e não achar que para aprender essa manifestação artística deve haver repetição.
O que fazer se a escola não possui a infraestrutura adequada para desenvolver um trabalho de qualidade nessa área?
TECA Sempre ouço essa pergunta quando mostro as experiências que temos na escola. O que respondo é que podemos entrar no jogo da invenção, construir materiais bons e explorá-los. A intenção não precisa ser construir instrumentos sofisticados, mas promover a descoberta dos sons ou do timbre produzidos quando, por exemplo, se bate numa caixa de papel. Quando a criança usa um instrumento clássico, não vai tratá-lo do jeito tradicional, e não há nenhum problema nisso. Os pequenos dão valor a coisas simples, como um papelão ondulado e um palito que juntos formam um reco-reco.
Por que a criança deve estudar Música?
TECA Porque é essencial. De modo geral, a Educação deve considerar o ser humano, o ambiente e a cultura e integrar os conhecimentos e todas as áreas. A música não deve ser colocada a serviço de outras disciplinas consideradas prioritárias porque ela é importante por si mesma, para a vida. O ser humano é musical, no decorrer da sua evolução transformou os sons de modo a criar composições. Nunca ouvimos alguém dizer que a pessoa aprende Matemática para desenvolver a capacidade musical, mas o contrário, que essa arte é importante para o raciocínio matemático ou porque estimula o processo de alfabetização. Esse não deve ser o motivo de ela estar presente. Mas um bom trabalho pode mesmo facilitar a aprendizagem de outros conteúdos, pois você apura a sua audição e desenvolve o sistema de relações entre som e silêncio.
link original: http://revistaescola.abril.com.br/creche-pre-escola/musica-pre-escola-ouvir-cantar-tocar-677971.shtml?page=2
SESI Valores da Música: Educação Musical com Teca Alencar
Material de apoio para introdução do ensino à música em escolas de língua portuguesa. Uso gratuito desde que citado o Serviço Social da Indústria - SESI - todos os direitos reservados - 2010.
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
sábado, 20 de outubro de 2012
Educação Musical: Série Pedagogias: Villa-Lobos 2
Na postagem de hoje trago a fala de um de nossos maiores compositores: Heitor Villa-Lobos.
" A música folclórica é a expansão, o desenvolvimento livre do próprio povo expresso pelo som".
" A música folclórica é a expansão, o desenvolvimento livre do próprio povo expresso pelo som".
Educação Musical: Série Pedagogias: Villa - Lobos
por Guilherme Nascimento/ilustração por João Marcelo Guimarães
Dotado de grande poder de observação e criatividade ímpar, Villa-Lobos sempre soube, ao longo da vida, construir as ferramentas necessárias às suas necessidades. Nosso maior compositor e um dos educadores musicais de maior projeção no país foi homem com poucos antecedentes escolares, praticamente um autodidata. Quando retornou da Europa, em 1930, ele percebeu, com clareza, as deficiências musicais do povo brasileiro e se engajou na tarefa de disseminar um programa de educação musical de massa por todo o país.
As escolas públicas do estado de São Paulo haviam implantado, em 1912, um programa de educação musical de grande sucesso. Tratava-se do canto orfeônico, uma modalidade de alfabetização musical exercida através da prática do canto coral, originada na França nos anos 1830. O exercício do canto orfeônico visava contribuir para uma educação musical mais abrangente, em oposição ao ensino especializado dos conservatórios musicais. Com a adesão de Villa-Lobos ao programa educacional paulista, em 1931, o canto orfeônico ganharia um impulso jamais imaginado no país.
Mas para que seu projeto pudesse ser realizado seria necessário associar-se ao Governo Federal. Com a aliança, Villa-Lobos disseminaria o canto orfeônico por todo o Brasil e Getúlio Vargas ganharia um programa de doutrinação patriótica monumental. De mera atividade artística e educacional, o projeto original acabou tornando-se, também, instrumento de disciplina e patriotismo.
Dentre as suas realizações, Villa-Lobos propiciou a instrução musical e a prática coral a milhões de crianças Brasil afora; ajudou a disseminar a música folclórica e indígena através de arranjos e composições próprias; criou um coro dos professores de canto orfeônico; publicou o Guia Prático, uma obra em seis volumes contendo inúmeros exemplos musicais, de cantos indígenas aos clássicos da literatura universal; promoveu concertos em estádios de futebol com grandes massas populares; apresentou inúmeros programas radiofônicos educacionais destinados às crianças; empreendeu esforços para promover a música brasileira e torná-la mais conhecida no Brasil mediante uma série de concertos destinados aos jovens; fundou o Conservatório do Canto Orfeônico que promovia, além de suas funções educacionais, a pesquisa musicológica e a gravação de obras brasileiras com fins educacionais; criou a biblioteca do Conservatório, que abrigava obras musicais brasileiras e promovia a música brasileira do presente e do passado; e conseguiu que o ensino musical se tornasse obrigatório nas escolas brasileiras.
A despeito das críticas que a aliança com Getúlio Vargas gerou, Villa-Lobos nutria o verdadeiro desejo de elevar o nível cultural do país. Ao ensinar música às crianças ele imaginava, no futuro, um povo mais educado, mais sensível, mais disciplinado, com mais respeito pelo país e sua herança cultural, mais consciente da diversidade de sua população, de sua história e de suas manifestações artísticas
Link Original: http://educacaomusical.net/?p=720
Dicas: História das brincadeiras indígenas
Objetivos
- Reconhecer a diversidade de grupos indígenas da América Latina.
- Conhecer os tipos de brincadeira indígena.
- Comparar o próprio modo de vida com o de crianças indígenas.
Conteúdos
- Povos da América Latina.
- Diversidade cultural.
Anos
2º ao 4º.
Tempo estimado
Três aulas.
Material necessário
Folhas de jornal ou de papel crepom colorido, barbante ou elástico.
Desenvolvimento
1ª etapa
Comece o trabalho explicando que o propósito é conhecer como brincam diferentes grupos de crianças na América Latina. De início, mostre imagens de brincadeiras em países dessa região, debatendo as semelhanças entre elas. Nesse ponto, é importante enfatizar dois aspectos. Primeiro: apesar de as comunidades indígenas serem muito diferentes, na maioria delas predominam as brincadeiras junto à natureza, principalmente nos rios. Segundo: os brinquedos são feitos de materiais retirados da floresta. Comente ainda que, em boa parte das atividades, os pequenos brincam em grupos e sem competir, aprendendo diversas práticas do cotidiano. Finalize essa etapa pedindo aos alunos que discutam sobre as diferenças e semelhanças em relação às próprias brincadeiras.
2ª etapa
Pergunte se conhecem uma peteca e se sabem usá-la. Proponha, então, que façam uma em sala. Comece amassando uma folha de jornal, formando uma bola achatada. Coloque-a no centro de outra folha, deixando as pontas soltas. Torça a folha na altura da bola e amarre com um barbante ou elástico. Se quiser, pinte com tinta guache. Com o brinquedo pronto, combine com o professor de Educação Física um jogo com a turma. De volta à classe, mostre que a palavra "peteca" vem de péte ka, de origem tupi, nome de um brinquedo feito pelos indígenas com palha seca de milho. É essencial explicar que o tupi era a língua falada em todo o litoral do Brasil até o século 18 e que inúmeras palavras dela foram incorporadas ao português. Por último, conte que, em Minas Gerais, o jogo de peteca é um esporte reconhecido e muito praticado, destacando a influência indígena na nossa cultura.
Avaliação
Proponha que os alunos produzam um texto curto que identifique a influência indígena na nossa cultura, com base em uma das brincadeiras que eles conheceram. O texto pode ser incrementado por meio da comparação com algum jogo que eles veem como semelhante aos dos indígenas. Avalie se a turma incorporou a compreensão de que esses povos não são homogêneos, mas diferentes em termos de cultura, língua e práticas sociais.
Consultoria: Daniel Vieira Helene
Coordenador pedagógico do Centro de Estudar Acaia Sagarana
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Músicos ouvem melhor e têm memória mais afiada na terceira idade
Estudo mostrou que eles diferenciam mais facilmente palavras em meio a barulhos quando comparados a não músicos.
Alessandro Greco, especial para o iG | 11/05/2011 18:01
O aprendizado de um instrumento musical na infância
e a prática de tocá-lo durante a vida adulta pode trazer vantagens na terceira
idade. Em especial, parece ser importante para distinguir palavras em meio a
diferentes tipos de barulho e também para lembrar delas. Ao menos é o que
mostrou uma pesquisa publicada nesta quarta-feira (11) no periódico científico
PloS One. “Já sabíamos que a experiência musical tinha um efeito profundo em
nosso sistema nervoso e em como processamos os sons em nosso dia a dia. O que
não sabíamos – e foi surpreeendente – é que isto persiste com a idade”, afirmou
ao iG Nina Kraus, principal autora do artigo, da Universidade
Northwestern, nos Estados Unidos.
O estudo avaliou a habilidade de 18 músicos e 19 não músicos, com idades
entre 45 e 65 anos, em ouvir palavras em meio a outros tipos de barulhos, a
capacidade de lembrar de sons e de processá-los e a memória visual.
Em
todos eles, menos na memória visual, os músicos se saíram melhor do que os não
músicos – na área visual os resultados dos dois grupos foi praticamente igual.
“A forte relação entre sons, memória e a habilidade processamento auditiva
mostra como [a capacidade de] ouvir envolve a integração de processos cognitivos
e sensoriais. [...]”, explicou Nina. A descoberta está em linha com outros
trabalhos que mostram que adultos com a mesma capacidade auditiva podem
apresentar grandes diferenças na capacidade de ouvir palavras em meio a
barulhos.
O próximo passo da pesquisa será começar a entender os mecanismos biológicos que levam ao fortalecimento dessas conexões nos músicos. “Sabemos que em jovens adultos a experiência musical afeta a forma que o sistema nervoso processa elementos sonoros específicos que são importantes para a fala. Qual é este processo nos adultos mais velhos? [..], afirmou Nina.
O uso de música na escola é outra das áreas de estudo de Nina. Para ela, o treino musical aprimora o sistema nervoso. “Temos examinado também os efeitos da educação musical nas escolas. Queremos determinar os efeitos dela no sistema nervoso , em como o cérebro processa os sons, e no resultado do aprendizado, durante o desenvolvimento da leitura, da escuta, da atenção e da memória”, explicou ela.
Link Original: http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/musicos+ouvem+melhor+e+tem+memoria+mais+afiada+na+terceira+idade/n1596945223376.html
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Dicas: Leia para uma criança... peça sua coleção gratis!
Entenda
Ler para uma criança é um gesto simples e muito importante. Por meio dele, contribuímos para a educação, a cultura e o lazer das crianças e ajudamos a mudar para melhor o futuro do Brasil.Histórias podem mudar a história de uma criança.
Crianças que ouvem a leitura de histórias aprendem melhor, desenvolvem a capacidade de se expressar e se comunicar com os outros.Ler para uma criança contribui para a garantia de seus direitos.
Quando um adulto lê para uma criança oferece a ela o acesso à cultura, ao lazer e à educação. Além disso, a leitura aproxima o adulto e a criança e possibilita que compartilhem bons momentos.
As crianças de hoje cuidarão do país amanhã.
São 18 milhões de crianças e adolescentes de 0 a 15 anos que definirão o futuro do país daqui a 30 anos.Você pode ser um grande leitor.
Aventure-se e leia. Ao ouvir sua leitura, a criança vai se familiarizando com a linguagem, construindo seu vocabulário e ampliando sua capacidade de compreender o mundo.
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Sua missão: ler e inspirar.Para cuidar do presente e do futuro das crianças dependemos de um importante personagem: você.
Por isso, leia para uma criança e incentive outro adulto a fazer o mesmo.
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Mergulhe na poesia e descubra os versos na canção, na lua cheia, na tristeza, nos grossos pingos de chuva ou na mão estendida de um amigo.Peça aqui sua coleção
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Música para 1º e 2º anos: 8.1 Alunos descobrem música de qualidade
Atenção: Leia as postagens na ordem do roteiro didático no menu Música para 1º e 2º anos: Revista Nova Escola a direita da tela.
Ao longo das atividades, as crianças aprenderam conceitos básicos de apreciação musical, como o reconhecimento de instrumentos e respectivos timbres, notas e suas alturas (mais graves, mais agudas), rítmica e formas básicas de composição. O desfecho do projeto foi uma inesquecível visita à Sala São Paulo, uma das principais casas de concerto do mundo. Nesse dia, as crianças acompanharam uma apresentação didática de seis obras executadas pela Orquestra Sinfônica de Santo André (antes ou depois de reger a música, o maestro dá explicações, mostra instrumentos, conta rápidas histórias sobre o compositor ou a obra, pede que cada músico toque seu instrumento para as crianças identificarem o som).
Para "tocar" as atividades desenvolvidas anteriormente em sala de aula, Daniela valeu-se da formação que tem em Educação Artística com habilitação em Música. "Mas tudo o que fiz pode ser feito também por professores leigos no assunto", assegura ela. "O diferencial do projeto da Daniela é o planejamento", atesta Marisa Szpigel, formadora de professores de Arte e selecionadora do Prêmio Victor Civita em 2006. "Ela se preparou para cada ação e estabeleceu objetivos claros e compartilhados com os alunos. Eles sabiam, desde o início, aonde iriam chegar." (Leia mais sobre a seleção no quadro.)
A base do trabalho foi o programa mantido pela Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), que tem por missão formar público ouvinte de música erudita (e professores do Ensino Fundamental para a Educação Musical). Daniela realizou todas as atividades propostas pela Osesp e subiu um degrau a mais. Ela explorou conceitos de composição, realizou atividades sobre ritmo baseadas num trabalho de percussão corporal e de instrumentos de sucata e levou para a classe canções populares de mestres da MPB. "Meus alunos dificilmente terão a oportunidade de seguir uma carreira musical nem terão acesso a instrumentos e cursos, pois vivem numa região onde esse tipo de alimento cultural não é prioridade. Mas plantei uma semente em cada um deles", conta Daniela.
O programa de Educação Musical foi dividido em dez atividades, distribuídas em 13 aulas, que tinham duração de uma hora e meia. As tarefas intercalaram momentos de apreciação de diversas obras, produção musical, leitura de textos, escrita de relatos e confecção de desenhos.
Alunos descobrem música de qualidade
Em uma audição inesquecível, uma turma de 2ª série descobre a qualidade da boa música e começa a adquirir o senso crítico capaz de afastá-la do lixo cultural a que é submetida diariamente
Ricardo Falzetta (novaescola@fvc.org.br)
A professora Daniela Neves e seus alunos na
Sala São Paulo: música de qualidade.
Foto: Marie Ange Bordas
Sala São Paulo: música de qualidade.
Foto: Marie Ange Bordas
Durante três meses, no segundo semestre de 2005, alunos de 2ª série de uma escola de São Paulo viveram uma situação rara na Educação pública brasileira, experiência que os marcará para o resto da vida. Eles tiveram aulas regulares de música. A iniciativa merece ainda mais destaque por se tratar de um grupo de estudantes da EMEF Professora Maria Berenice dos Santos, no extremo sul da cidade, região em que o acesso aos meios culturais se restringe ao rádio e à TV. "Eram crianças com um repertório limitado ao que é oferecido pela mídia de massa. Não conheciam cantigas populares e muito menos a música erudita", conta a professora Daniela da Costa Neves, 25 anos, autora do projeto com o qual foi eleita Educadora Nota 10 no Prêmio Victor Civita 2006.
Mais sobre música
Para "tocar" as atividades desenvolvidas anteriormente em sala de aula, Daniela valeu-se da formação que tem em Educação Artística com habilitação em Música. "Mas tudo o que fiz pode ser feito também por professores leigos no assunto", assegura ela. "O diferencial do projeto da Daniela é o planejamento", atesta Marisa Szpigel, formadora de professores de Arte e selecionadora do Prêmio Victor Civita em 2006. "Ela se preparou para cada ação e estabeleceu objetivos claros e compartilhados com os alunos. Eles sabiam, desde o início, aonde iriam chegar." (Leia mais sobre a seleção no quadro.)
A base do trabalho foi o programa mantido pela Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), que tem por missão formar público ouvinte de música erudita (e professores do Ensino Fundamental para a Educação Musical). Daniela realizou todas as atividades propostas pela Osesp e subiu um degrau a mais. Ela explorou conceitos de composição, realizou atividades sobre ritmo baseadas num trabalho de percussão corporal e de instrumentos de sucata e levou para a classe canções populares de mestres da MPB. "Meus alunos dificilmente terão a oportunidade de seguir uma carreira musical nem terão acesso a instrumentos e cursos, pois vivem numa região onde esse tipo de alimento cultural não é prioridade. Mas plantei uma semente em cada um deles", conta Daniela.
O programa de Educação Musical foi dividido em dez atividades, distribuídas em 13 aulas, que tinham duração de uma hora e meia. As tarefas intercalaram momentos de apreciação de diversas obras, produção musical, leitura de textos, escrita de relatos e confecção de desenhos.
Os sons da orquestra
Para diagnosticar os conhecimentos da turma, na primeira aula Daniela perguntou o que os estudantes entendiam por uma orquestra e pediu que fizessem desenhos. Entre as respostas e imagens, ficou evidente a referência a bandas populares, pois apareceram instrumentos como guitarra ou bateria, acessórios como pedestais e microfones e artistas pop, como Sandy & Júnior. A professora, então, explicou que esse tipo de formação é apenas uma entre várias outras.
Em seguida, ela propôs a leitura do livro Orquestra Tintim por Tintim, que detalha os instrumentos de uma orquestra erudita e é acompanhado de um CD que apresenta o som de cada um deles. Ao ouvi-lo com os alunos, Daniela trabalhou o conceito de timbre e pediu que identificassem sons graves e agudos.
As notas musicais entraram na segunda etapa. Ouvindo e depois cantando Minha Canção, escrita por Chico Buarque para o musical Os Saltimbancos, a garotada conheceu as sete notas da escala, seus nomes e suas alturas. Cada verso da música começa com o nome da nota que está sendo executada na melodia. Ao "ensaiar" a cantiga, Daniela trabalhou a afinação das crianças, a memória melódica e a leitura da letra, reproduzida num grande cartaz. Além de ouvir e cantar, os alunos fizeram exercícios acompanhados de um teclado. Conforme Daniela tocava, eles indicavam a altura com um movimento de braço. Quanto mais agudo o som, mais alto o braço.
O compositor norueguês Edvard Grieg (1843- 1907) foi apresentado na terceira atividade do projeto. Ouvindo a quarta parte (Na Gruta do Rei da Montanha) da composição Peer Gynt, a classe conheceu conceitos relacionados à dinâmica musical, além de ter seu primeiro contato com o repertório erudito. Depois de ouvir uma vez, Daniela colocou a música para tocar novamente e pediu que todos se movimentassem pelo pátio de acordo com o andamento e a intensidade da peça.
A sonata O Burrico de Pau, do compositor brasileiro Antonio Carlos Gomes (1836-1896), foi o tema da aula seguinte. Antes de ouvir a obra, porém, Daniela contou aos atentos alunos sobre os sons produzidos pelo cavalo galopando. Para imitar o som, convidou-os a percutir nas próprias pernas com as mãos em forma de concha - sempre tentando manter o ritmo. Em seguida, todos imitaram o som do burro com a voz.
O poema O Menino Azul, de Cecília Meireles, foi a inspiração para o grupo produzir uma história coletiva em prosa sobre um menino e seu burrinho. Finalmente, chegou a hora de ouvir a peça de Carlos Gomes, escrita para ser executada por uma formação de câmara (só com instrumentos de corda). Os alunos perceberam a diferença entre essa formação e a de uma orquestra completa (tema da aula anterior). A audição também evidenciou a qualidade do timbre dos instrumentos de corda.
Os sons do corpo
A atenção e a concentração dobram quando, de apreciadores, passamos a executores de uma música. Por isso, na aula seguinte a classe aprendeu uma lição simples, mas fascinante: nosso corpo pode ser uma pequena orquestra. Inspirada num curso feito com o grupo de percussão corporal Barbatuques, de São Paulo, a professora transmitiu alguns conceitos de composição. Com a turma disposta em roda, ela propôs explorar livremente os sons corporais: bater na perna, na barriga, no peito, estalar os dedos, bater palmas abertas ou fechadas, assoprar, assobiar etc. No centro da roda, Daniela colocou alguns instrumentos de percussão feitos de sucata. Em seguida, comandou a realização de uma seqüência minimal: uma criança começa uma frase rítmica e a sustenta, o colega ao lado faz outro som que combine com o anterior e também o sustenta, e assim por diante, até completar a roda.
Em seguida, Daniela dividiu a sala em grupos de cinco alunos. Cada um deveria, com base na atividade anterior, criar uma composição e registrá-la numa folha, com sinais gráficos que representassem o som produzido: linhas, pontos e outras formas geométricas que indicassem duração e natureza do som. Com isso, estabeleceu-se a relação entre os sinais produzidos pela turma e a notação musical. "Mostrei uma partitura de maestro, que traz a pauta de todos os instrumentos ao mesmo tempo", conta a professora.
Nas duas aulas seguintes, explorando um tema dos mais atraentes para a criançada - o circo -, o assunto foi a suíte, um tipo de composição instrumental que reúne uma série de movimentos independentes, em geral próprios para a dança. Para começar, um DVD do grupo canadense Cirque du Soleil inspirou uma conversa sobre os personagens circenses. Destaque também para a trilha sonora da apresentação (uma suíte que ajuda a sustentar, quadro a quadro, as peripécias da trupe). O próximo passo foi explorar os três primeiros movimentos (Prólogo, Galope e Marcha) da suíte Os Comediantes, do compositor armênio Dmitri Kabalevsky (1904-1987).
No segundo movimento, a turma recuperou os sons do galope de uma atividade anterior e depois imaginou que animais do circo estavam representados pela marcha. Para encerrar esse capítulo, Daniela dividiu novamente a classe em grupos de cinco e distribuiu para cada um quatro cartões com os motivos musicais. Ao ouvir novamente a composição, os alunos montaram o quebra-cabeça na ordem em que os temas aparecem na música.
Depois de tantas atividades e audições em CD, só faltava a música ao vivo. "Os alunos da Daniela não foram ao concerto para passear. Eles sabiam o que iam encontrar e estavam bem preparados para apreciar a música", conclui Marisa. No programa, entre outras composições, lá estavam Peer Gynt, O Burrico de Pau e Os Comediantes.
O projeto em sete etapas
1. Tintim por tintim
No diagnóstico feito por Daniela, os alunos mostraram que o conhecimento que tinham sobre música era limitado. A primeira atividade foi procurar no livro Orquestra Tintim por Tintim - e na audição do CD que o acompanha - as informações básicas sobre os instrumentos de uma orquestra e seus timbres.
2. As notas da canção
Com ajuda da música Minha Canção, de Chico Buarque, a turma conheceu as sete notas musicais. A seguir, Daniela tocou a música no teclado e os alunos, com os braços, respondiam se a nota era grave ou aguda.
3. Nos movimentos do corpo
No pátio, espaço de várias das atividades do projeto, ouvindo a música de Edvard Grieg, as crianças se movimentavam conforme o andamento e a intensidade da melodia. O exercício de percepção fez com que a turma ficasse ligada no ritmo e na dinâmica da obra.
4. O som das cordas
Com a sonata O Burrico de Pau, de Carlos Gomes, a turma conheceu um pouco da produção erudita brasileira e pôde notar a qualidade do timbre dos instrumentos de corda. Na brincadeira, um aluno com os olhos vendados devia encontrar o local certo para afixar o rabo do burro. As outras crianças ajudavam o colega, batendo palmas com mais ou menos força. Antes da audição, Daniela ensinou a imitar o som de um galope, percutindo a própria perna com as mãos em forma de concha.
5. Seqüencia minimal
No próprio corpo, ou usando instrumentos de sucata, um aluno começa uma seqüência rítmica e a mantém. O colega ao lado produz outra, que combine com a anterior. Assim por diante, o grupo, em roda, chega a uma composição, depois registrada com notações inventadas pelos alunos.
6. Uma suíte para o circo
Na audição de Os Comediantes, de Kabalevsky, o grupo identificou nos movimentos a descrição dos personagens e o som do galope e da marcha dos animais do circo. Antes, entenderam que uma suíte reúne peças independentes, em geral para serem coreografadas. Com as clavas, reproduziram a figura rítmica que faz lembrar o galope, sempre procurando manter o pulso.
7. Fechamento "de ouro"
Os alunos cruzaram a cidade até chegar à Sala São Paulo. Lá, ouviram a Orquestra Sinfônica de Santo André executar seis peças. Nos intervalos, a maestrina (que surpreendeu a turma, pois eles achavam que só havia homens nessa função) deu detalhes sobre os instrumentos. "Parece de ouro", resumiu um aluno.
Formada em Educação Artística com habilitação em Música pela Unesp e em Pedagogia pela Uniban, Daniela da Costa Neves, 25 anos, é paulistana e sempre viveu na capital. Desde pequena, por influência do pai, teve contato com a música erudita. "Lembro-me de que, muitas vezes, a trilha sonora das minhas brincadeiras era a música clássica, que ele gostava de ouvir e que preenchia os cômodos da casa", conta. A paixão pelo Magistério também apareceu desde muito cedo. "Eu tinha uma lousinha de brinquedo. Quando chegava da escola, ficava ensinando meus alunos imaginários no quintal." Além disso, a irmã mais velha, também professora, sempre serviu de inspiração para a Educadora Nota 10. Quando entrou na faculdade, achava que faria habilitação em Teatro. Mas, ao ter contato com a teoria e a prática musicais, mudou de idéia. Saiu do curso tocando piano e violão erudito.
A consultora de Arte Marisa Szpigel, responsável pela seleção dos trabalhos de Arte da nona edição do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10, aponta alguns pontos cruciais para o sucesso didático do projeto de Daniela. "O principal deles é que o produto final é invisível, é uma sensibilização dos alunos para uma linguagem artística. Isso é diferente do que em geral - e de forma equivocada - se espera dos trabalhos de Arte, ou seja, algo tangível, como um desenho ou uma apresentação de fim de ano", afirma Marisa. O desafio agora é fazer com que a semente plantada por Daniela cresça e frutifique. "Se esses alunos não continuarem sendo estimulados a fazer uma leitura crítica da Arte que recebem dos meios de massa, o trabalho se perde", acredita a consultora. Para que isso aconteça, ela sugere que o ensino de Arte faça parte do projeto didático da escola de maneira estruturada, contemplando as quatro linguagens artísticas: além da música, também as artes visuais, o teatro e a dança. "Elas podem aparecer ao longo das aulas em todos os anos ou podem ser concentradas em determinadas séries. O importante é que haja, a exemplo do que fez Daniela, planejamento das atividades e boa organização do tempo didático."
Foto: Marie Ange Bordas
Em seguida, ela propôs a leitura do livro Orquestra Tintim por Tintim, que detalha os instrumentos de uma orquestra erudita e é acompanhado de um CD que apresenta o som de cada um deles. Ao ouvi-lo com os alunos, Daniela trabalhou o conceito de timbre e pediu que identificassem sons graves e agudos.
Foto: Marie Ange Bordas
As notas musicais entraram na segunda etapa. Ouvindo e depois cantando Minha Canção, escrita por Chico Buarque para o musical Os Saltimbancos, a garotada conheceu as sete notas da escala, seus nomes e suas alturas. Cada verso da música começa com o nome da nota que está sendo executada na melodia. Ao "ensaiar" a cantiga, Daniela trabalhou a afinação das crianças, a memória melódica e a leitura da letra, reproduzida num grande cartaz. Além de ouvir e cantar, os alunos fizeram exercícios acompanhados de um teclado. Conforme Daniela tocava, eles indicavam a altura com um movimento de braço. Quanto mais agudo o som, mais alto o braço.
Foto: Marie Ange Bordas
O compositor norueguês Edvard Grieg (1843- 1907) foi apresentado na terceira atividade do projeto. Ouvindo a quarta parte (Na Gruta do Rei da Montanha) da composição Peer Gynt, a classe conheceu conceitos relacionados à dinâmica musical, além de ter seu primeiro contato com o repertório erudito. Depois de ouvir uma vez, Daniela colocou a música para tocar novamente e pediu que todos se movimentassem pelo pátio de acordo com o andamento e a intensidade da peça.
Foto: Marie Ange Bordas
O poema O Menino Azul, de Cecília Meireles, foi a inspiração para o grupo produzir uma história coletiva em prosa sobre um menino e seu burrinho. Finalmente, chegou a hora de ouvir a peça de Carlos Gomes, escrita para ser executada por uma formação de câmara (só com instrumentos de corda). Os alunos perceberam a diferença entre essa formação e a de uma orquestra completa (tema da aula anterior). A audição também evidenciou a qualidade do timbre dos instrumentos de corda.
Os sons do corpo
Foto: Marie Ange Bordas
Em seguida, Daniela dividiu a sala em grupos de cinco alunos. Cada um deveria, com base na atividade anterior, criar uma composição e registrá-la numa folha, com sinais gráficos que representassem o som produzido: linhas, pontos e outras formas geométricas que indicassem duração e natureza do som. Com isso, estabeleceu-se a relação entre os sinais produzidos pela turma e a notação musical. "Mostrei uma partitura de maestro, que traz a pauta de todos os instrumentos ao mesmo tempo", conta a professora.
Foto: Marie Ange Bordas
No segundo movimento, a turma recuperou os sons do galope de uma atividade anterior e depois imaginou que animais do circo estavam representados pela marcha. Para encerrar esse capítulo, Daniela dividiu novamente a classe em grupos de cinco e distribuiu para cada um quatro cartões com os motivos musicais. Ao ouvir novamente a composição, os alunos montaram o quebra-cabeça na ordem em que os temas aparecem na música.
Foto: Marie Ange Bordas
Depois de tantas atividades e audições em CD, só faltava a música ao vivo. "Os alunos da Daniela não foram ao concerto para passear. Eles sabiam o que iam encontrar e estavam bem preparados para apreciar a música", conclui Marisa. No programa, entre outras composições, lá estavam Peer Gynt, O Burrico de Pau e Os Comediantes.
O projeto em sete etapas
1. Tintim por tintim
No diagnóstico feito por Daniela, os alunos mostraram que o conhecimento que tinham sobre música era limitado. A primeira atividade foi procurar no livro Orquestra Tintim por Tintim - e na audição do CD que o acompanha - as informações básicas sobre os instrumentos de uma orquestra e seus timbres.
2. As notas da canção
Com ajuda da música Minha Canção, de Chico Buarque, a turma conheceu as sete notas musicais. A seguir, Daniela tocou a música no teclado e os alunos, com os braços, respondiam se a nota era grave ou aguda.
3. Nos movimentos do corpo
No pátio, espaço de várias das atividades do projeto, ouvindo a música de Edvard Grieg, as crianças se movimentavam conforme o andamento e a intensidade da melodia. O exercício de percepção fez com que a turma ficasse ligada no ritmo e na dinâmica da obra.
4. O som das cordas
Com a sonata O Burrico de Pau, de Carlos Gomes, a turma conheceu um pouco da produção erudita brasileira e pôde notar a qualidade do timbre dos instrumentos de corda. Na brincadeira, um aluno com os olhos vendados devia encontrar o local certo para afixar o rabo do burro. As outras crianças ajudavam o colega, batendo palmas com mais ou menos força. Antes da audição, Daniela ensinou a imitar o som de um galope, percutindo a própria perna com as mãos em forma de concha.
5. Seqüencia minimal
No próprio corpo, ou usando instrumentos de sucata, um aluno começa uma seqüência rítmica e a mantém. O colega ao lado produz outra, que combine com a anterior. Assim por diante, o grupo, em roda, chega a uma composição, depois registrada com notações inventadas pelos alunos.
6. Uma suíte para o circo
Na audição de Os Comediantes, de Kabalevsky, o grupo identificou nos movimentos a descrição dos personagens e o som do galope e da marcha dos animais do circo. Antes, entenderam que uma suíte reúne peças independentes, em geral para serem coreografadas. Com as clavas, reproduziram a figura rítmica que faz lembrar o galope, sempre procurando manter o pulso.
7. Fechamento "de ouro"
Os alunos cruzaram a cidade até chegar à Sala São Paulo. Lá, ouviram a Orquestra Sinfônica de Santo André executar seis peças. Nos intervalos, a maestrina (que surpreendeu a turma, pois eles achavam que só havia homens nessa função) deu detalhes sobre os instrumentos. "Parece de ouro", resumiu um aluno.
Quem é Daniela
Formada em Educação Artística com habilitação em Música pela Unesp e em Pedagogia pela Uniban, Daniela da Costa Neves, 25 anos, é paulistana e sempre viveu na capital. Desde pequena, por influência do pai, teve contato com a música erudita. "Lembro-me de que, muitas vezes, a trilha sonora das minhas brincadeiras era a música clássica, que ele gostava de ouvir e que preenchia os cômodos da casa", conta. A paixão pelo Magistério também apareceu desde muito cedo. "Eu tinha uma lousinha de brinquedo. Quando chegava da escola, ficava ensinando meus alunos imaginários no quintal." Além disso, a irmã mais velha, também professora, sempre serviu de inspiração para a Educadora Nota 10. Quando entrou na faculdade, achava que faria habilitação em Teatro. Mas, ao ter contato com a teoria e a prática musicais, mudou de idéia. Saiu do curso tocando piano e violão erudito.
Por um ensino estruturado de Arte
A consultora de Arte Marisa Szpigel, responsável pela seleção dos trabalhos de Arte da nona edição do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10, aponta alguns pontos cruciais para o sucesso didático do projeto de Daniela. "O principal deles é que o produto final é invisível, é uma sensibilização dos alunos para uma linguagem artística. Isso é diferente do que em geral - e de forma equivocada - se espera dos trabalhos de Arte, ou seja, algo tangível, como um desenho ou uma apresentação de fim de ano", afirma Marisa. O desafio agora é fazer com que a semente plantada por Daniela cresça e frutifique. "Se esses alunos não continuarem sendo estimulados a fazer uma leitura crítica da Arte que recebem dos meios de massa, o trabalho se perde", acredita a consultora. Para que isso aconteça, ela sugere que o ensino de Arte faça parte do projeto didático da escola de maneira estruturada, contemplando as quatro linguagens artísticas: além da música, também as artes visuais, o teatro e a dança. "Elas podem aparecer ao longo das aulas em todos os anos ou podem ser concentradas em determinadas séries. O importante é que haja, a exemplo do que fez Daniela, planejamento das atividades e boa organização do tempo didático."
Quer saber mais?
CONTATOS
Daniela da Costa Neves, dani.cone@hotmail.com
EMEF Professora Maria Berenice dos Santos, R. Barbosa Vilas Boas, 251, 04904-140, São Paulo, tel. (11) 5891-6564
BIBLIOGRAFIA
Orquestra Tintim por Tintim, Elisa da Silva e Cunha e outros, 32 págs., Ed. Moderna, tel. 0800-17-2002, 27,90 reais
Daniela da Costa Neves, dani.cone@hotmail.com
EMEF Professora Maria Berenice dos Santos, R. Barbosa Vilas Boas, 251, 04904-140, São Paulo, tel. (11) 5891-6564
BIBLIOGRAFIA
Orquestra Tintim por Tintim, Elisa da Silva e Cunha e outros, 32 págs., Ed. Moderna, tel. 0800-17-2002, 27,90 reais
Link Original: http://revistaescola.abril.com.br/arte/pratica-pedagogica/audicao-inesquecivel-424837.shtml?page=0
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