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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O MISTÉRIO DA ORIGEM DA MÚSICA


Posted by on 15/09/2011
 
 
Experimentos sugerem que as crianças nascem com a capacidade de reconhe­cer tons musicais independente­mente do contexto em que se apresentam, mas perdem a habi­lidade com o desenvolvimento da linguagem. A música está relacionada à linguagem e ao pensamento lógico. Que vanta­gem adaptativa justi­fica o aparecimento e manuten­cão da música ao longo de milhões de anos? Por que nossa capacidade de escutar, apreciar e criar música foi selecio­nada, se não cantamos para atrair parceiros sexuais ou para obter alimentos?
 
 
O MISTÉRIO DA ORIGEM DA MÚSICA
 
 
Do ponto de vista evolu­tivo, o simples fato de a música existir é um mistério. Que vanta­gem adaptativa justi­fica seu aparecimento e manuten­ção ao longo de milhões de anos? Apesar de ainda não termos uma boa explicação, em seu livro mais recente Oliver Sacks fornece al­gumas pistas importantes. Anali­sando pacientes com diversos ti­pos de distúrbios relacionados à música, Sacks mostra como ela está relacionada à linguagem e ao pensamento lógico.
 
 
É fácil imaginarmos como o aparecimento da linguagem foi selecionado ao longo da evolução. Ela permite a cooperação entre os membros da espécie, facilitan­do a organização social. Mas a mú­sica é um caso à parte. Por que nossa capacidade de escutar, apreciar e criar música foi selecio­nada, se não cantamos para atrair parceiros sexuais ou para obter alimentos? Qual seria a fun­ção original de nossas habilida­des musicais?
 
 
Sacks demonstra que a capaci­dade musical de nosso cérebro é muito mais extensa que a observada na maioria das pessoas. Diver­sos experimentos sugerem que as crianças nascem com ouvido absoluto (capacidade de reconhe­cer tons musicais independente­mente do contexto em que se apresentam), mas perdem a habi­lidade com o desenvolvimento da linguagem. Crianças educadas em línguas em que a tonalidade é importante, como idiomas orien­tais, têm uma maior probabilida­de de manter seu ouvido absoluto até a idade adulta. Também é sabi­do que pessoas que perdem a vi­são muito cedo desenvolvem uma maior sensibilidade musical.
 
 
Analisando dezenas de exem­plos desse tipo, Sacks demonstra que muito provavelmente o aparecimento da nossa capacidade lingüística, há milhões de anos, foi responsável pelo cerceamento de nosso potencial musical – parte do qual ainda podemos recupe­rar por meio da educação.
 
 
Analisando uma série enorme de pacientes com distúrbios neu­rológicos, Sacks demonstra que o recrutamento das habilidades mu­sicais pode, em muitos casos, aju­dar na reorganização da mente de pacientes com distúrbios da fala e amnésia A capacidade musical nesses casos parece ser um coad­juvante na organização de diver­sas atividades mentais que envol­vem ritmos ou atividades repetiti­vas, como andar, contar ou e nu­merar dados. Talvez tenha sido essa a função das habilidades musi­cais na sua origem.
 
 
As observações de Sacks suge­rem que, no passado distante, o ser humano utilizava de maneira extensa sua capacidade musical para organizar atividades men­tais hoje organizadas por meio de outros mecanismos, como a lin­guagem e o pensamento lógico.
 
 
Se isso é verdade, fica fácil ima­ginar como essa capacidade teve papel importante na estrutura­ção de nossas atividades cere­brais e por que foi selecionada du­rante a evolução.
 
 
A mais impressionante é imaginar que a nossa musicalidade atual nada mais é que os resquí­cios de uma capacidade mental que possuíamos e que perdemos quando a linguagem e o raciocínio lógico dominaram nosso uni­verso mental. O universo mental em que vivíamos na época em que a música reinava livre em nosso cérebro é difícil de imaginar e im­possível de reviver. Os remanes­centes “arqueológicos” dessas ha­bilidades é o que observamos em gênios como Mozart ou nos pa­cientes de
Sacks. Essa hipótese é, no mínimo, intrigante.
 
 
Mais informações em Musico­philia: Tales of Music and the Brain, de Oliver Sacks, editora Al­fred A.Knopf, Nova York, 2007.
 
 
fernando@reinach.com“>FERNANDO REINACH fernando@reinach.com, Biólogo. O Estado de S. Paulo (7 de fevereiro de 2008)
 
Link: http://www.universodainteligencia.com.br/?p=277

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