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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O MISTÉRIO DA ORIGEM DA MÚSICA


Posted by on 15/09/2011
 
 
Experimentos sugerem que as crianças nascem com a capacidade de reconhe­cer tons musicais independente­mente do contexto em que se apresentam, mas perdem a habi­lidade com o desenvolvimento da linguagem. A música está relacionada à linguagem e ao pensamento lógico. Que vanta­gem adaptativa justi­fica o aparecimento e manuten­cão da música ao longo de milhões de anos? Por que nossa capacidade de escutar, apreciar e criar música foi selecio­nada, se não cantamos para atrair parceiros sexuais ou para obter alimentos?
 
 
O MISTÉRIO DA ORIGEM DA MÚSICA
 
 
Do ponto de vista evolu­tivo, o simples fato de a música existir é um mistério. Que vanta­gem adaptativa justi­fica seu aparecimento e manuten­ção ao longo de milhões de anos? Apesar de ainda não termos uma boa explicação, em seu livro mais recente Oliver Sacks fornece al­gumas pistas importantes. Anali­sando pacientes com diversos ti­pos de distúrbios relacionados à música, Sacks mostra como ela está relacionada à linguagem e ao pensamento lógico.
 
 
É fácil imaginarmos como o aparecimento da linguagem foi selecionado ao longo da evolução. Ela permite a cooperação entre os membros da espécie, facilitan­do a organização social. Mas a mú­sica é um caso à parte. Por que nossa capacidade de escutar, apreciar e criar música foi selecio­nada, se não cantamos para atrair parceiros sexuais ou para obter alimentos? Qual seria a fun­ção original de nossas habilida­des musicais?
 
 
Sacks demonstra que a capaci­dade musical de nosso cérebro é muito mais extensa que a observada na maioria das pessoas. Diver­sos experimentos sugerem que as crianças nascem com ouvido absoluto (capacidade de reconhe­cer tons musicais independente­mente do contexto em que se apresentam), mas perdem a habi­lidade com o desenvolvimento da linguagem. Crianças educadas em línguas em que a tonalidade é importante, como idiomas orien­tais, têm uma maior probabilida­de de manter seu ouvido absoluto até a idade adulta. Também é sabi­do que pessoas que perdem a vi­são muito cedo desenvolvem uma maior sensibilidade musical.
 
 
Analisando dezenas de exem­plos desse tipo, Sacks demonstra que muito provavelmente o aparecimento da nossa capacidade lingüística, há milhões de anos, foi responsável pelo cerceamento de nosso potencial musical – parte do qual ainda podemos recupe­rar por meio da educação.
 
 
Analisando uma série enorme de pacientes com distúrbios neu­rológicos, Sacks demonstra que o recrutamento das habilidades mu­sicais pode, em muitos casos, aju­dar na reorganização da mente de pacientes com distúrbios da fala e amnésia A capacidade musical nesses casos parece ser um coad­juvante na organização de diver­sas atividades mentais que envol­vem ritmos ou atividades repetiti­vas, como andar, contar ou e nu­merar dados. Talvez tenha sido essa a função das habilidades musi­cais na sua origem.
 
 
As observações de Sacks suge­rem que, no passado distante, o ser humano utilizava de maneira extensa sua capacidade musical para organizar atividades men­tais hoje organizadas por meio de outros mecanismos, como a lin­guagem e o pensamento lógico.
 
 
Se isso é verdade, fica fácil ima­ginar como essa capacidade teve papel importante na estrutura­ção de nossas atividades cere­brais e por que foi selecionada du­rante a evolução.
 
 
A mais impressionante é imaginar que a nossa musicalidade atual nada mais é que os resquí­cios de uma capacidade mental que possuíamos e que perdemos quando a linguagem e o raciocínio lógico dominaram nosso uni­verso mental. O universo mental em que vivíamos na época em que a música reinava livre em nosso cérebro é difícil de imaginar e im­possível de reviver. Os remanes­centes “arqueológicos” dessas ha­bilidades é o que observamos em gênios como Mozart ou nos pa­cientes de
Sacks. Essa hipótese é, no mínimo, intrigante.
 
 
Mais informações em Musico­philia: Tales of Music and the Brain, de Oliver Sacks, editora Al­fred A.Knopf, Nova York, 2007.
 
 
fernando@reinach.com“>FERNANDO REINACH fernando@reinach.com, Biólogo. O Estado de S. Paulo (7 de fevereiro de 2008)
 
Link: http://www.universodainteligencia.com.br/?p=277

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Música para 1º e 2º anos: 8.2 Composição Musical


Atenção : Leia as postagens na ordem do roteiro didático no menu Música para 1º e 2º anos: Revista Nova Escola a direita da tela.              
                                                                                                                                          Conheça o trabalho da professora nota 10 Áudrea da Costa Martins, vencedora do Prêmio Victor Civita 2009. Ela ensinou composição musical e edição digital de áudio aos alunos da 5ª e 6ª séries da EMEF São João Batista, em São Leopoldo, a 31 km de Porto Alegre. 
  

8.2 Composição musical


Professora Áudrea da Costa Martins, vencedora do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10 em 2009.


Escola EMEF São João Batista, em São Leopoldo, Rio Grande do Sul.

Anos 5º e 6º séries


O que ela fez Depois de um levantamento sobre conceitos de música feito com os alunos, a professora percebeu que havia necessidade de ampliar o repertório da turma. Áudrea promoveu atividades de apreciação de música contemporânea (eletrônica e aleatória) com as turmas do 5º e 6º séries. Os alunos debateram sobre a estrutura dessas músicas e discutiram a presença de elementos sonoros experimentais, como ruídos, sons captados do ambiente e manipulações eletrônicas. Em seguida, A professora levou esse conhecimento para a prática, propondo aos alunos que compusessem músicas utilizando textos, instrumentos musicais e procedimentos de acaso (ou aleatórios) para a criação.


O que ela trabalhou Apreciação e audição; música, cultura e repertório; improvisação e composição.


Link: http://revistaescola.abril.com.br/fundamental-1/musica-1o-2o-anos-640283.shtml?page=8.2

 

Formando bravos compositores

 

Em arte, uma das competências que os alunos têm de desenvolver é compor. Para isso, é preciso trabalhar vários aspectos, como apreciação e reflexão

 
Ana Rita Martins (novaescola@atleitor.com.br), de São Leopoldo, RS
Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10

Até 1824, a palavra sinfonia indicava uma peça musical executada com um conjunto de instrumentos. Essa definição restrita poderia ter perdurado anos se não fosse Ludwig van Beethoven (1770-1827), o compositor alemão que estarreceu o público com a Sinfonia Nº 9 em Ré Menor. A ela, ele incorporou um coral de vozes, algo inédito nesse tipo de peça clássica. Ao inserir o elemento, questionou o conceito de sinfonia e revelou que sua forma de compor estava intrinsecamente ligada à reflexão das fronteiras estabelecidas até então para a música. Em outras palavras, Beethoven ampliou o conceito musical que a humanidade tinha, deixando claro que é possível pensar criativamente sem seguir padrões. Explorar essa ideia com as turmas de 5ª e 6ª séries da EMEF São João Batista, em São Leopoldo, a 40 quilômetros de Porto Alegre, foi o principal objetivo do projeto de Áudrea da Costa Martins.

Ela desafiou a garotada a criar suas próprias composições, considerando que a produção em sala, tal como fazer pinturas, é a etapa que, juntamente com a apreciação e a reflexão, faz parte do tripé de ensino da área de Arte. Áudrea fez por merecer o título de Educadora Nota 10 do Prêmio Victor Civita de 2009 porque impulsionou os estudantes a questionar o que é música, refletir sobre sua linguagem e experimentar possibilidades ao agir como compositores. "A maioria dos professores se atém às atividades de apreciação e reprodução", diz Paulo Nin Ferreira, coordenador da área de Arte do Colégio I. L. Peretz, na capital paulista, e selecionador do Prêmio.

Definir o que é música não é algo simples. Além de ter um conceito amplo, trata-se de um elemento tão presente no cotidiano das pessoas que suas opiniões são moldadas com base em gostos e, o que é diferente, pode ser tratado de forma preconceituosa. Saber o que o grupo pensa a esse respeito é um ponto importante a ser dissecado, principalmente para decidir os rumos do trabalho.

Áudrea, por exemplo, percebeu que algumas definições dadas pelos alunos, como "música tem de ter ritmo definido", eram referentes aos padrões de experiências sonoras que eles tinham, o que os fazia desconsiderar uma série de outras composições.



Apreciar e refletir para saber como pensar musicalmente
Foto: Tamires Kopp
INÍCIO INTELIGENTE Investigar e questionar o que a turma considera música é a base para um trabalho consistente


A apreciação musical pode ser usada em sala não só para enriquecer o repertório da garotada. Atividades dessa natureza também são úteis para revelar que existem maneiras diversas de organizar os sons e usar os instrumentos e que um compositor pode manipulá-los de acordo com a sua intencionalidade.

Nessa perspectiva, a seleção musical tem de contemplar diversas categorias (como música eletrônica, erudita, concreta e aleatória) e estilos musicais (como pop, rock, jazz, funk, soul e blues) e priorizar o que os alunos não estão acostumados a ouvir. É uma maneira inteligente de apresentar novos parâmetros para que eles façam releituras e selecionem ou modifiquem suas ideias musicais para também podê-las usar em suas composições. Áudrea investiu em músicas classificadas como aleatórias, da categoria erudita contemporânea, para mostrar ao grupo que, nesse caso, nem todos os elementos são controlados pelo próprio compositor.

Foto: Tamires Kopp
SENTINDO OS SONS Explorar variados instrumentos é um meio necessário para entender a linguagem


Com o repetório ampliado, a atividade de composição se torna, naturalmente, um passo possível e necessário. Ainda assim, é normal que os alunos sem habilidades técnicas em instrumentos se sintam acanhados na hora de compor. O mesmo se aplica aos educadores.

A boa notícia é que é possível dar conta do trabalho com criatividade mesmo sem esses conhecimentos. Basta pensar que os sons não precisam se restringir às notas tiradas de instrumentos. Em vez disso, pode-se propor aos estudantes que coletem sons, como o de uma flauta soprada sem que os dedos estejam posicionados sobre os orifícios e os ruídos do ambiente (a batida de uma porta, por exemplo). Com isso, o conceito de música é ampliado e, por causa da apreciação e reflexão prévias, as crianças já saberão que compor vai muito além das formas tradicionais com que normalmente temos contato e se sentirão muito mais livres para experimentar.

Composição com propriedade
Foto: Tamires Kopp
VIVA A MÚSICA Experimentar, apreciar e refletir sobre a música foi o foco do trabalho desenvolvido por Áudrea



Mestra em Educação com pesquisa em Educação Musical, Áudrea da Costa Martins, 35 anos, professora na EMEF São João Batista, em São Leopoldo, sabe que refletir sobre a prática cotidiana faz toda a diferença na sala de aula. Para ensinar música de verdade na escola, pesquisou como se dá o processo de composição de crianças e jovens e quais as ferramentas necessárias para que eles tenham condições reais de criar com autonomia e criatividade.


Objetivo

A educadora queria que os estudantes de 5º e 6ª séries ampliassem o conceito que tinham de música e o repertório a fim de que pudessem ter o embasamento necessário para compor livres de preconceitos. Áudrea também pretendia que eles percebessem que uma composição vai além do que é veiculado pela mídia e que fizessem releituras, explorando novas ideias.


Passo a passo

A preocupação inicial de Áudrea foi descobrir o que os estudantes entendiam por música. Com base nas respostas, a professora problematizou o assunto, questionando as definições dadas por eles, e propôs que compusessem, tal como fazem os profissionais. Apresentou obras contemporâneas para a apreciação e reflexão, propôs releituras e a exploração de instrumentos musicais de maneira incomum para que os alunos percebessem que sons diferentes também podem originar músicas. Para fazer com que a turma criasse de verdade, ensinou como lidar com um software livre de edição sonora. No encerramento do projeto, um compositor local foi convidado a desenvolver uma música com os estudantes e o resultado foi apresentado para a comunidade escolar.


Avaliação

Depois de cada apreciação, Áudrea pedia aos alunos que escrevessem no caderno suas reflexões sobre as músicas. Ela analisou se eles conseguiam identificar os instrumentos utilizados, de que forma o ritmo mudava, as sensações provocadas e se tinham posturas críticas em relação às obras. Ela filmou todo o processo de composição realizado pelo grupo, analisando as criações sem deixar de considerar o percurso e a evolução da garotada. Os próprios estudantes também avaliaram o material tendo alguns critérios, como a variação de ritmo dentro da música, a intencionalidade dos autores ao produzi-la e a variedade de ideias usadas para organizar as composições.


A intencionalidade é a premissa para compor
Foto: Tamires Kopp
ESCUTA ATENTA Ouvir estilos diferentes e aprender sobre os padrões musicais é uma tarefa essencial


É consenso entre os especialistas da área que ensinar a música na escola somente para que os alunos aprendam a tocar os instrumentos é um equívoco. É preciso enxergá-la como arte, dando importância às sensações que o autor quis provocar nas pessoas e as que elas sentiram. Então, é fundamental ajudar a turma a compreender que o processo de criação tem de ser intencional: o professor deve discutir e estabelecer temas para as composições juntamente com a garotada.

Se o escolhido envolver suspense, por exemplo, é importante que o grupo reflita respondendo a perguntas como "Os sons curtos dão a sensação de que algo está prestes a ocorrer?" e "O silêncio no meio da música pode provocar medo?". É essencial que o professor questione as justificativas para as escolhas e incentive os alunos a debatê-las coletivamente. No entanto, para avaliar as produções, ele jamais deve levar em consideração apenas a composição em si, como um produto isolado da aprendizagem.

O desenvolvimento do pensamento musical de cada estudante e o modo como ele se apropriou da linguagem são importantes. Afinal, a escola não tem de almejar a formação de músicos, mas livrar os alunos de entraves que os impeçam de sentir as melodias.
 
 
Quer saber mais?
 
 
CONTATOS
 


Link: http://revistaescola.abril.com.br/arte/pratica-pedagogica/formando-bravos-compositores-arte-musica-composicao-musical-567808.shtml?page=0

Improviso com voz e instrumentos

A seqüência de atividades mostra uma nova maneira de exprimir sentimentos

Paola Gentile (pagentile@fvc.org.br)
Os pequenos compositores e seus instrumentos: música para a chuva. Foto:Alexandre Battibugli
Os pequenos compositores e seus
instrumentos: música para a chuva.
Foto: Alexandre Battibugli
 
 

Escutar músicas, cantar e tocar são atividades quase diárias para as crianças que freqüentam a Escola HeiSei Ensino Bi-Cultural, de São Paulo. Mas elas não parampor aí: a professora e educadora musical Kenia Muraoka aproveita as mais diversas oportunidades para incentivar a molecada a compor. O que parece ser uma atividade complicada até para adultos vira uma curtição para a turminha de 6 e 7 anos, em fase de alfabetização, que dessa forma aprende os elementos da linguagem musical.

O gosto pela música aumenta e o aprendizado dessa linguagem se consolida quando há, além da
escuta atenta, a experimentação, na qual instrumentos e voz são usados para inventar frases musicais. A atividade de composição deve vir depois de outras que permitam à garotada explorar as características do som (altura, duração, intensidade e timbre). Dessa forma, as crianças mostram o que aprenderam, sem a imposição de uma melodia predefinida. P.G.


Sequência de atividades;

1. APURANDO A ESCUTA
Antes de compor, é preciso conhecer particularidades da linguagem musical. O ouvido precisa ser treinado para uma audição atenta, num trabalho longo. Duas ou três vezes, Kenia reproduz uma música de que todos gostam, na íntegra. Depois, toca em um instrumento trecho por trecho para a turma ouvir, cantar, interpretar e reparar nas pausas e quando o som é mais ou menos forte, grave ou agudo, longo ou curto.

2. ESCOLHA DO TEMA
Qualquer situação do dia-a-dia pode servir de inspiração. Uma turma de 3 anos de Kenia escolheu compor uma música para a girafa, enquanto estudava os grandes animais que vivem na floresta. A de 6 anos criou uma composição sobre a chuva, já que cada um construiu um pau-de-chuva.

3. LETRA E MÚSICA REGISTRADAS
Na hora de compor, uma criança toma a iniciativa de cantarolar os versos. Com os instrumentos, outros vão criando a letra junto com o ritmo e a melodia. Kenia anota as frases e só interfere para sugerir ajustes na métrica. Composição pronta, o coro é gravado. A anotação e a gravação permitem executar a canção muitas vezes.

4. GRAFIA MUSICAL
A partir dos 4 anos, já é possível registrar a música com elementos gráficos. Kenia marca, acima dos
versos, traços indicando a variação de frequência (linha ascendente, quando o som vai do grave para o agudo, e descendente, quando acontece o contrário); de duração (linhas longas ou curtas); e de intensidade (marcações fortes ou fracas). Depois, as crianças escolhem os instrumentos para acompanhar a cantoria.

 
Outra proposta
PAISAGEM SONORA

Uma maneira divertida de aguçar a sensibilidade auditiva das crianças é estimular o reconhecimento de sons em alguns ambientes. Coloque um anteparo e "toque" um molho de chaves, um copo de vidro e outro de plástico, moedas etc. Pergunte como elas identificaram os sons. Convide-as também a nomear os sons ouvidos nos vários ambientes da escola em horários diferentes (no refeitório na hora da merenda e no horário de aula; no pátio na hora do recreio e quando estão todos nas classes etc.). Sugira que as crianças os representem em forma de texto descritivo ou com onomatopéias.


CONSULTORIA: MÔNICA MACIEL, COORDENADORA DO PROJETO TIM MÚSICA NAS ESCOLAS, DE SÃO PAULO.

Quer saber mais?
 
CONTATO
Escola HeiSei Ensino Bi-Cultural, R. Vicente Biondo, 102, 02536-140, São Paulo, SP, tel. (11) 6256-0467
EXCLUSIVO ON-LINE
Ouça a gravação das crianças da Escola HeiSei em www.novaescola.org.br

Link: http://revistaescola.abril.com.br/arte/pratica-pedagogica/quer-ouvir-minha-cancao-429656.shtml

sábado, 17 de novembro de 2012

Dicas: Documentário Muito Além do Peso

Trailer...

Entrevista com Estela Renner (Diretora) e Marcos Nisti (Produtor executivo) do documentário Muito Além do Peso.

O documentário fala sobre crianças quem apresentam sintomas de doenças de adultos. Problemas de coração, respiração, depressão e diabetes tipo 2. Todos têm em sua base a obesidade. O documentário discute por que 33% das crianças brasileiras pesam mais do que deviam. As respostas envolvem o governo, os pais, as escolas e a publicidade. Com histórias reais e alarmantes, o filme promove uma discussão sobre a obesidade infantil no Brasil e no mundo.

Estreia dia 16 de novembro de 2012

http://www.muitoalemdopeso.com.br/

Reportagem: Izadora Rodrigues
Edição de texto: Alexandre Luiz
Câmera: Alexandre Luiz
Edição e finalização: Alexandre Luiz
Produção Executiva: ATVnaWeb

Criança, A alma do negócio.

Veja nesse Documentário como a propaganda implanta falsos desejos na criança, criando um espírito de puro consumismo, e que comprando elas serão mais felizes, e se o pais não compram  a propaganda faz com que as crianças fiquem contra eles. Um Absurdo!!!



Link: http://www.youtube.com/watch?v=KQQrHH4RrNc&feature=related

domingo, 4 de novembro de 2012

Educação Musical: Livro de canções de Adoniran Barbosa

Livro de canções de Adoniran Barbosa
 

Este projeto didático propõe a criação de um livro em homenagem ao compositor paulista Adoniran Barbosa. Com ele, as crianças vão se aproximar da obra e da vida do compositor e aprender músicas clássicas da cultura popular brasileira. Além disso, terão um primeiro contato com os registros gráficos musicais.

Objetivos
- Pesquisar e conhecer a vida e obra de um importante artista da cultura brasileira e paulista - Adoniran Barbosa.
- Conhecer características, situações, fatos que inspiraram a obra do artista.
- Conhecer elementos da linguagem musical: aproximação à escrita musical (notas, partituras, símbolos).
- Desenvolver a escuta musical.
- Perceber elementos sonoros e musicais: timbres de instrumentos, ritmos, formas musicais.
- Elaborar um material de referência com registros do percurso de aprendizagem dos alunos.

Conteúdos
- Musicalização.
- História e Cultura.

Anos
Pré-escola.

Tempo estimado
02 meses.

Material necessário
Lápis, canetinha, tinta, papel e cartolina. Gravador de som - computador com microfone, softwarede gravação ou equipamento de som que seja possível gravar voz e sons do ambiente. Cds ou mídia com músicas de Adoniran Barbosa interpretadas por ele. Fotos, livros de história, vídeos: materiais de referência para pesquisa.

Produto final
Livro de canções de Adoniran Barbosa.

Flexibilização

Para alunos com deficiência auditiva
A música é um fenômeno físico, no qual é possível senti-la através das vibrações das ondas sonoras. Por exemplo, é possível perceber o ritmo do samba, a partir do padrão de vibração das frequências graves de um surdo (instrumento musical de percussão) ou até mesmo reconhecer a pulsação e andamento da canção através de sua marcação na sua música. Nas atividades de apreciação, ajude o aluno a sentir as vibrações da música.

Desenvolvimento

1ª etapa
Conte sobre o tema do projeto: o compositor Adoniran Barbosa. Apresente o artista e converse sobre alguns aspectos significativos da sua vida e obra para nossa cultura. Pergunte quais as músicas que eles conhecem e coloque algumas canções para que escutem. "Trem das Onze" e "Samba do Arnesto" são duas composições muito conhecidas que trazem marcas muito características da sua produção musical. Nelas é possível reconhecer o enredo sobre os bairros de São Paulo e a forma caricata da pronúncia dos imigrantes italianos da década de 30.

2ª etapa
Analise com o grupo algumas características que chamam a atenção nas canções de Adoniran: pronúncias, enredo, ritmos, timbres dos instrumentos, da voz, etc. É possível utilizar gravações de músicas que o compositor interpreta em parceria com outros artistas para comparar e conhecer timbres de vozes diferentes. Por exemplo: a gravação de "Torresmo à milanesa" cantada junto com Clementina de Jesus. O timbre vocal é bastante grave e/ou a delicadeza contrastante da voz de Elis Regina em "Tiro ao alvo".

3ª etapa
Nesse momento é importante contextualizar a época em que o artista viveu e concebeu sua obra, trazendo elementos que facilitem a compreensão dos alunos de como eram as coisas no passado. Você pode apresentar discos de vinil e uma vitrola, fotos de lugares da cidade no século passado comparando com imagens atuais, pesquisar como as pessoas se vestiam etc. Estabeleça relações dos fatos históricos com o desenvolvimento da carreira do artista. Adoniran Barbosa encontrou no rádio a maneira de expressar sua obra, pois esse era o principal veículo de comunicação da época. No enredo de suas canções são retratadas também situações do dia a dia do imigrante e do trabalhador.

4ª etapa
Esse é um momento muito rico do trabalho, pois é possível contar com a preciosa participação dos familiares no projeto. Pais e avós geralmente conhecem músicas de Adoniran Barbosa e muitos se identificam com algumas situações relatadas em suas composições. Sugira que enviem materiais sobre sua vida e as músicas que conhecem. Caso seja possível, receba a visita de um familiar na sala de aula. Se algum pai souber tocar um instrumento musical, peça que ele venha participar de uma aula para cantar com o grupo.

5ª etapa
Escolha algumas canções de Adoniran para ensinar ao grupo. Uma das músicas que as crianças costumam gostar muito é o "Samba do Arnesto", pois narra uma história divertida. Nela, é possível ouvir a pronúncia intencionalmente equivocada de algumas palavras e também tem um ritmo bem animado. Escute atentamente a canção incentivando as crianças a nomear e reconhecer os instrumentos tocados. Por exemplo: o cavaquinho, o pandeiro, o surdo etc. É importante dizer ao grupo que essa música tem o ritmo do samba e que, geralmente é tocado por esses instrumentos. Muitos alunos conhecem outras músicas e estilos de samba, o que pode enriquecer o aprendizado.

Numa roda de conversa, faça um exercício conjunto de compreensão sobre a letra da canção, estimulando a participação das crianças. Indague-os sobre o que entenderam do enredo. Por que o cantor fala errado algumas palavras? Lance um desafio para que cantem sozinhos sem ajuda do acompanhamento da música. Organize atividades corporais/gestuais com os temas abordados nas suas músicas. Por exemplo: com Trem das Onze é possível realizar uma brincadeira de "estátua" onde os alunos deverão formar uma fileira que será um "trem humano" e deverão se movimentar ao ritmo da música, ficando paralisados quando a música acaba. Esse tipo de brincadeira torna a experiência musical dinâmica. Todas essas atividades facilitam também a memorização das letras e melodias das canções.

6ª etapa
Todas as etapas deverão ser documentadas para que ao final sua turma possa criar um livro com os materiais registrados por eles. Além de documentar o processo de aprendizagem, os registros ajudam o aluno a compartilhar e refletir sobre suas produções e conhecimentos. Veja alguns tipos possíveis de registro:

- Registros gráficos musicais: As crianças podem criar imagens, símbolos hipotéticos para representar a notação de um som, um ritmo ou ate´ uma música completa (exemplo de registro das crianças)

- Desenho do enredo das canções: Ilustrar o tema das canções ou situações da sua vida. Por exemplo: a estação ferroviária do Jaçanã~, o trem e os passageiros.

- Escrita coletiva da biografia do artista: Com você como escriba, peça que elaborem coletivamente um texto sobre as informações pesquisadas da vida e obra de Adoniran.

- Registros sonoros: gravação das músicas, programa de rádio com vinhetas e sonorizações.

7ª etapa
Para elaboração e diagramação do Livro de Canções, organize todos os materiais gráficos e de áudio registrados durante o processo de realização do projeto. Você pode criar um livro coletivo acompanhado de um CD com músicas, textos e ilustrações produzidas e interpretadas pelas crianças.

No livro, você pode estabelecer diferentes seções, para organizar as informações:

a) Partituras musicais: desenhos e notações referentes às músicas e sons. Você também poderá colocar algumas partituras com a escrita musical usual como aproximação e referência dos símbolos utilizados na linguagem musical.

b) Letras das músicas com ilustrações: desenhos dos alunos sobre os temas cantados em suas canções.

c) Biografia do artista: textos e ilustrações produzidos pelo grupo sobre sua vida

d) Índice do CD: numeração e conteúdos das faixas, juntamente com os créditos dos alunos e grupos que interpretaram as músicas e locuções.

e) Créditos finais: seção onde deverá ser mencionado as fontes de consulta de pesquisa, das imagens, dos livros, das partituras, das músicas, do CDs utilizados para que o leitor possa também fazer sua consulta pessoal aos materiais originais.

8ª etapa
Lançamento do livro e do CD. Organize uma seção de cantoria para a comunidade escolar (pais, crianças, professores e funcionários) para compartilhar o trabalho.

Avaliação
A avaliação do projeto poderá ser pautada por:

- Participação e envolvimento da criança no trabalho.

- Observação dos registros realizados:
Hipóteses que criaram para desenhar os sons e as músicas
Desenhos dos enredos das canções, situações de sua vida e da cidade

- Apropriação das músicas e da história de Adoniran:
Cantam as músicas?
Comentam sobre timbres, instrumentos musicais e ritmo?
Relatam diferentes momentos de sua história e da cidade de SP?

- Conversas sobre o trabalho com as crianças.
Consultoria: Roberto Schkolnick
Professor de música da Escola Jacarandá, em São Paulo.

Link original: http://revistaescola.abril.com.br/creche-pre-escola/livro-cancoes-adoniran-barbosa-674665.shtml

Educação Musical: Música na pré-escola para ouvir, cantar e tocar



Prêmio Victor Civita Educador Nota 10
 
2011 | Arte | Pré-Escola

Roberto Schkolnick

Escola

Escola Jacarandá

Cidade

São Paulo, SP

Projeto

Songbook: Adoniran Barbosa - 100 anos


O ritmo, os sons dos instrumentos musicais e as brincadeiras com a voz já eram parte das aulas de Música das crianças de 4 e 5 anos da escola. Mas o professor incluiu um novo tema nas atividades desenvolvidas com os pequenos: o centenário de nascimento de Adoniran Barbosa (1910-1982). A criançada conheceu a vida e a obra do músico, o contexto histórico do tempo em que ele viveu e, principalmente, ouviu, cantou, pintou, tocou, dançou e se divertiu com as canções. O projeto deu origem a um songbook com letras, fotos, desenhos e dados sobre a biografia do cantor.
 
 

 
 
 
 
 

Música na pré-escola para ouvir, cantar e tocar

Com composições de qualidade, Roberto Schkolnick instroduziu as crianças ao mundo da música

Beatriz Santomauro (bsantomauro@fvc.org.br). Com apuração de Marcia Scapaticio
 

Ao ouvir as músicas
de Adoniran Barbosa,
as crianças identificaram
os elementos que as
compõem,
como os
refrões e a introdução. Foto: Marina Piedade
Escuta atenta Ao ouvir as músicas de Adoniran Barbosa, as crianças identificaram os elementos que as compõem, como os refrões e a introdução.
Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10

A vitrola à esquerda foi bastante usada nas aulas de Música da Escola Jacarandá, na capital paulista. Nela tocaram discos de Adoniran Barbosa (1910-1982), artista que retratou a cidade de São Paulo numa época de crescente industrialização e imigração intensa. Agora, Samba do Arnesto, Trem das Onze, Saudosa Maloca e As Mariposa estão na ponta da língua dos pequenos da pré-escola. O responsável é o professor Roberto Schkolnick, que elaborou um projeto didático sobre o tema, realizado ao longo de sete meses. Durante as atividades, a classe tocou vários instrumentos, ouviu e cantou as músicas da época de seus avós e bisavós e aprendeu sobre o contexto em que foram compostas.


Clélia Cortez, selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10, ressalta o espaço dado às situações de escuta. Segundo a especialista, é mais comum nas aulas o momento de cantar do que o de ouvir prestando atenção nos detalhes das canções. Schkolnick mostrou para as crianças diversas obras do artista e escolheu trechos como "As mariposa, quando chega o frio, fica dando vorta em vorta da lâmpida pra se esquenta" e "O Arnesto nos convidou prum samba, ele mora no Brás, nóis fumo e num encontremo ninguém, nóis vortemo com uma baita de uma reiva" para serem cantados e analisados. Elas discutiram sobre palavras que não conheciam ou sobre aquelas que, para eles, nem existiam, como "encontremo" ou "reiva". Identificaram também que o "quais, quais, quais, quais" é introdução do Samba do Arnesto. "Eles me perguntavam se o Adoniran não sabia falar direito. Com isso, discutimos sobre o efeito que o cantor produziu", conta o professor.


Outra etapa planejada pelo docente foi a da criação. Os pequenos puderam gravar o que cantaram. Em seguida, ouviram a voz de todos e analisaram quais cantavam alto demais, quais não eram ouvidos e que pontos precisavam ser ajustados. A vivência com os instrumentos teve outro desdobramento. O professor propôs que eles experimentassem tocar o triângulo e representassem no papel aqueles diferentes sons. Eles se alternaram entre tocar e desenhar e o resultado foram notações muito interessantes, em que conseguiam diferenciar os sons mais curtos (com pontinhos) e longos (com tracinhos), com estilos desenvolvidos por cada criança.


"Ao ouvir um impulso sonoro, pode-se transpor o som percebido para outra linguagem", explica Clélia. "As crianças colocam no papel o que a percepção auditiva identificou, formando um primeiro tipo de registro musical." Isso é muito diferente de ensinar partituras convencionais, mas é uma maneira de fazer com que elas compreendam que o som pode ser transformado em, por exemplo, desenho. Em Música na Educação Infantil (208 págs., Ed. Peirópolis, tel. 11/ 3816-0699, 49 reais), Teca Alencar de Brito lembra que é importante considerar legítimo o modo como as crianças se relacionam com os sons e os silêncios. Só assim, de acordo com ela, a construção do conhecimento ocorre em contextos significativos, que incluam criação, elaboração de hipóteses, descobertas, questionamentos, experimentos etc. 


Os pais dos alunos foram parceiros importantes: um deles levou a vitrola e outros compartilharam discos e livros sobre o artista e sua época, reunindo um acervo completo para pesquisa. O professor deixou que a turma manuseasse os objetos, leu textos e mostrou imagens que pudessem ajudar na compreensão do contexto em que as músicas foram feitas. As crianças tiveram contato com a imigração e a industrialização de São Paulo por meio dos sambas de Adoniran e do material reunido.


No fim, as diferentes etapas do trabalho foram organizadas em um songbook - livro contendo letras das músicas, fotos e textos com a história do artista, acompanhado de um CD com a gravação das canções de Adoniran na voz das crianças.


O ensino musical ontem e hoje
O contexto em que as músicas
são criadas diz muito sobre elas.
Com as imagens, o professor mostrou
a vida na São Paulo de antigamente. Foto: Marina Piedade
Quem foi e onde viveu O contexto em que as músicas são criadas diz muito sobre elas. Com as imagens, o professor mostrou a vida na São Paulo de antigamente.


Aulas de Música como as de Schkolnick são raras (leia no quadro abaixo os erros mais comuns) e isso é um reflexo histórico. Nas últimas décadas, o espaço para esse conteúdo teve vários focos: o canto, o aprendizado de determinados instrumentos ou a escrita de partituras. Em outros momentos, ele foi deixado de lado ou ensinado sem planejamento e intencionalidade. Em 2011, ganhou destaque quando um item da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) entrou em vigor e tornou a música obrigatória na Educação Básica - embora já fizesse parte das aulas de Arte.


Para as crianças da creche e da pré-escola, esse é um dos temas essenciais a serem trabalhados, ao lado do movimento, da linguagem oral, da leitura e das artes plásticas, entre outros, conforme indica o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, documento do Governo Federal. Mas como trabalhar o conteúdo nos anos iniciais de escolaridade?


"As atividades devem ter como objetivo ampliar o contato da criança com a linguagem sonora e musical e despertar o gosto por elas", diz Schkolnick. É a chamada musicalização. As propostas devem sensibilizar para a escuta e para o reconhecimento de diversas características do som, por exemplo, quando é grave ou agudo, forte ou fraco. Outras questões importantes são identificar se a música tem refrão e qual sua introdução, de que maneira o som pode ser representado e quais os diferentes ritmos, entre tantos outros aspectos (leia no quadro abaixo o que uma boa aula dessa disciplina na Educação Infantil deve ter). Com base nesses conhecimentos, a criança desenvolverá sua capacidade de escolha, discernindo o que considera de qualidade e o que é de seu gosto.


Fazer perguntas como: "O que você está escutando agora?" e "Vocês perceberam que essas frases já foram ditas na canção?" é uma maneira de chamar a atenção da turma para elementos específicos, como o som de determinado instrumento e o refrão. "Normalmente, se escuta a música como sendo uma coisa única, um bloco só, sem perceber que são vários sons que a compõem", conta o professor.


A musicalização deve estar apoiada em três eixos: escuta ou apreciação (ouvir com atenção, observando os elementos que fazem parte da música e os efeitos produzidos por eles), prática e produção (mais do que "fazer direito" ou dentro de moldes estabelecidos, é importante experimentar o contato com instrumentos e com o canto), e contextualização (identificar em qual tempo e espaço as obras foram criadas e saber que são fruto de certas culturas). Conforme o objetivo das aulas, um ou outro podem ter peso maior - nem sempre, por exemplo, é essencial explorar o contexto de criação da música.


Esse tipo de abordagem cria uma base para um estudo mais estruturado da linguagem musical, incluindo a teoria, as técnicas e os conceitos, inclusive a alfabetização musical (a escrita das notas ou símbolos). Mesmo que isso seja feito, porém, não se deve dispensar as atividades que levam à sensibilização para a música - aliás, ela pode ser desenvolvida por toda a vida. "É importante, sempre, trabalhar melodia, harmonia, ritmo e canto. Ensinar apenas um instrumento é restritivo e faz com que se perca a visão do todo", reforça Schkolnick.


Uma boa aula de Música...

...explora o som e o silêncio

A música é um som feito com base no silêncio. O professor deve propiciar momentos para a criança refletir sobre ambos, identificar os instrumentos e dar espaço à invenção das próprias músicas.

...contextualiza o músico e sua obra


A música sempre é feita num lugar, num tempo e num espaço definidos. Tendo essas informações, a turma pode compreender melhor a obra e até estabelecer relações com sua vida.

...deixa que os alunos soltem a voz


O canto é o nosso primeiro instrumento e precisa fazer parte da rotina. O gravador é um bom recurso para analisar o que foi feito.

...permite tocar de tudo


Explorar o som com vários objetos é um modo de enriquecer o repertório. A turma deve experimentar os instrumentos espontaneamente e também em atividades dirigidas pelo educador.

...mostra como ouvir com atenção


É fundamental que as crianças ouçam, cantem e toquem músicas criadas por elas próprias e outras composições em atividades interligadas. Criar o hábito da audição é importante, pois vivemos numa sociedade totalmente visual, na qual os sons raramente aparecem dissociados das imagens.

...vai além dos sons conhecidos


Trilhas sonoras de programas infantis ou filmes podem fazer parte do cotidiano das famílias, mas a escola deve proporcionar o contato com outros tipos de canção. A intenção do professor deve ser ampliar o que a turma já sabe e ajudar a desenvolver critérios de seleção do que quer escutar.

Consultoria Berenice de Almeida, pianista e professora da Escola Municipal de Iniciação Artística, em São Paulo, autora de Encontros Musicais: Pensar e Fazer Música na Sala de Aula (304 págs., Ed. Melhoramentos, tel. 11/3874-0880, 39 reais).
 
 
Os erros mais comuns


- Usar a música para ações corriqueiras.

Cantar no momento das refeições não deve substituir o ensino dessa linguagem.

- Mostrar apenas canções infantis.

Qualquer tipo de música, desde que seja de qualidade, é bom para os pequenos.

- Reforçar o que já é conhecido.

Deve-se ampliar o repertório da classe.

- Ignorar os conhecimentos da turma.

Sabendo o que faz parte da bagagem do grupo, é possível propor atividades ligadas a ele, oferecendo informações que não seriam acessadas sem orientação.


Link original: http://revistaescola.abril.com.br/creche-pre-escola/musica-pre-escola-ouvir-cantar-tocar-677971.shtml?page=1

 
"O ser humano é musical"
Teca Alencar
de Brito. Foto: Marina Piedade
Teca Alencar de Brito, professora do curso de Licenciatura em Música da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).


Como deve ser um bom professor de Música?


TECA ALENCAR DE BRITO O ideal é que ele tenha formação musical, para que essa arte seja valorizada pelo que ela é, e conhecimento pedagógico, para que leve em conta o pensamento dos alunos. É preciso se aproximar da criança e conhecer o significado que ela atribui à música, que não é uma coisa fechada e não pode ser entendida apenas como "a escala fá, dó, ré, si". Ela deve ser vista mais amplamente, como resultado de tempos e espaços diferentes e de pessoas que escutaram e construíram suas próprias formas sonoras. Por isso, temos estilos do Ocidente e do Oriente, o clássico e o contemporâneo e também aquele que combina com as ideias de cada um. Se o professor tem esse olhar, procura construir as aulas com os alunos. Mas, se apenas diz qual o jeito certo de tocar, eles só reproduzem.


Nos últimos anos, o que mudou na maneira de os professores verem o ensino desse conteúdo?
TECA
As pessoas estão com o desejo de desenvolver um saber mais especializado. Mas os cursos de licenciatura têm um pequeno número de vagas e existem músicos (ou pessoas que querem se especializar na área) interessados em lecionar sem a devida formação. Não basta saber tocar, cantar e gostar de criança. Já recebi telefonemas de pessoas dizendo: "Você não pode me dar umas dicas porque eu vou começar a dar aula amanhã?" Para ensinar é preciso estar muito bem preparado.


Como devem ser as aulas?


TECA O professor tem de estar disposto a ousar e experimentar, sem ficar tão preocupado com um resultado predefinido. Nas escolas, falta espaço para criar e para valorizar a invenção da criança. Já vi um menino sentar no piano e, improvisando, chamar a mãe para tocar também. Mas ela disse que não sabia e ele respondeu: "Não precisa, eu já sei. Vem aqui que te ensino". Se para ele o mais importante é produzir, então todos podem tocar piano! Se esse garoto não faz música, quem a faz? Quantas vezes, no entanto, vemos as pessoas deixarem as crianças tocar livremente? Na Educação Infantil, os educadores podem inventar sonoridades e não achar que para aprender essa manifestação artística deve haver repetição.


O que fazer se a escola não possui a infraestrutura adequada para desenvolver um trabalho de qualidade nessa área?


TECA Sempre ouço essa pergunta quando mostro as experiências que temos na escola. O que respondo é que podemos entrar no jogo da invenção, construir materiais bons e explorá-los. A intenção não precisa ser construir instrumentos sofisticados, mas promover a descoberta dos sons ou do timbre produzidos quando, por exemplo, se bate numa caixa de papel. Quando a criança usa um instrumento clássico, não vai tratá-lo do jeito tradicional, e não há nenhum problema nisso. Os pequenos dão valor a coisas simples, como um papelão ondulado e um palito que juntos formam um reco-reco.
Por que a criança deve estudar Música?


TECA Porque é essencial. De modo geral, a Educação deve considerar o ser humano, o ambiente e a cultura e integrar os conhecimentos e todas as áreas. A música não deve ser colocada a serviço de outras disciplinas consideradas prioritárias porque ela é importante por si mesma, para a vida. O ser humano é musical, no decorrer da sua evolução transformou os sons de modo a criar composições. Nunca ouvimos alguém dizer que a pessoa aprende Matemática para desenvolver a capacidade musical, mas o contrário, que essa arte é importante para o raciocínio matemático ou porque estimula o processo de alfabetização. Esse não deve ser o motivo de ela estar presente. Mas um bom trabalho pode mesmo facilitar a aprendizagem de outros conteúdos, pois você apura a sua audição e desenvolve o sistema de relações entre som e silêncio.

link original: http://revistaescola.abril.com.br/creche-pre-escola/musica-pre-escola-ouvir-cantar-tocar-677971.shtml?page=2


 
 

SESI Valores da Música: Educação Musical com Teca Alencar


Material de apoio para introdução do ensino à música em escolas de língua portuguesa. Uso gratuito desde que citado o Serviço Social da Indústria - SESI - todos os direitos reservados - 2010.